Debate: Literatura & Redes Sociais
Postado em 18. jan, 2011 por Camila Leporace em Campus Party 2011
Na mesa Literatura & Redes Sociais, que aconteceu esta terça (18) das 16h às 17:15h no Palco Social Media da Campus Party, o debate versou sobre temas de grande relevância para o mercado editorial, a cultura, a educação e a tecnologia. O moderador do debate, Fabio Herz, da diretoria da Livraria Cultura, começou a mesa com uma provocação: para onde estaria indo a literatura? Quais as mudanças pelas quais nossos hábitos literários estão passando? Qual a influência de redes sociais como O Livreiro nesse processo?
Verena Petitinga, gerente do Livreiro e que esteve presente ao debate, comentou que, apesar de ser grande o volume de informação que gira atualmente, os livros mais adicionados no Livreiro continuam sendo os bestsellers. Porém,se esses livros são mais acessíveis ao grande público, obras de autores menos conhecidos, fora do circuito editorial tradicional podem se aproximar do público leitor com a ajuda de uma rede social como O Livreiro.
Eduardo Spohr, autor de “A Batalha do Apocalipse” e também participante da mesa, acredita que a internet não muda a literatura, mas é capaz de conectar pessoas com gostos semelhantes. Por outro lado, o próprio escritor pode – e deve – também se comunicar com seus leitores, no intuito de obter retorno quanto à obra. Ele contou que “A Batalha do Apocalipse” sofreu várias edições, a partir de sugestões feitas por leitores, pela Web.
Também esteve presente no debate o editor Paulo Tadeu, da Matrix, que publica cinco livros novos todo mês, muitos dos quais vêm da internet. Blogs e sites foram transformados por ele em livros. “Eu não me sinto ameaçado pela internet; ela é, sim, um facilitador”, disse, demonstrando uma visão vanguardista sobre o tema. Ainda sobre o papel do editor, o escritor João Paulo Cuenca afirmou que considera fundamental que o manuscrito de um escritor seja submetido a um editor, que o ajude a “separar o joio do trigo”. Segundo Paulo Tadeu, a figura de um editor e de uma boa editora vai continuar sendo importante, mas de uma forma diferente, à medida que editores demonstrarem ser capazes de enxergar os autores como “produtos” interessantes como um todo, com carreiras promissoras pela frente.
O LIVRO DE PAPEL E OS NOVOS FORMATOS
Verena lançou uma reflexão com relação aos e-books enquanto nova promessa editorial. Fez referência ao fato de que os leitores do Livreiro, em sua grande maioria, leem livros de papel. “O e-book vem para ampliar o mercado”, disse Cuenca, explicando que esse formato, na visão dele, não vai “matar” outros suportes, e sim atuar de forma complementar a eles. Cuenca acredita que o e-book “jamais será o elemento central da fruição da obra literária”, referindo-se ao fato de que o formato digital não superará a experiência da leitura em papel.
Fazendo-nos refletir sobre o futuro, Verena lançou um questionamento: no nosso mundo como ele é hoje, o universo digital nos parece alternativo ao do papel. Mas e para quem é criança hoje, será que vai ser assim? A experiência de leitura para os jovens já é bem diferente e continuará mudando. Também fazendo a plateia refletir, Cuenca lembrou que a leitura é uma experiência individual e, quando lemos, temos diante de nós um universo de subjetividades, e liberdade total para interagir com aquela obra da maneira como nossa imaginação e nossa experiência pessoal nos conduzirem.
Camila Leporace – O Livreiro


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