
Bin Laden: guerrilheiro saudita dá dicas "para entender o Oriente Médio". (Foto: AP)
Osama Bin Laden, líder da Al Qaeda e mentor dos ataques de 11 de setembro de 2001, voltou às manchetes no último dia 13 criticando ferozmente os americanos, como se pode ler no Globo. Até aí, nada surpreendente: o saudita sempre usou a mídia muito bem. A surpresa é que desta vez Bin Laden indicou… livros. E, curiosamente, todos escritos por americanos. E, mais curiosamente ainda, um deles é escrito por um antigo ocupante da Casa Branca.
Palestina – paz, sim. Apartheid, não, do ex-presidente americano Jimmy Carter, é um apaixonado e polêmico libelo a favor da criação do Estado Palestino. Já The Israel lobby and US foreign policy (”O lobby israelense e a política externa americana”), de Stephen Walt e John J. Mearsheimer, acadêmicos de Harvard e Chicago, respectivamente, nasceu de um ensaio no London Review of Books que atraiu reações furiosas por parte de diversas organizações judaicas. O último é provavelmente – Bin Laden disse, em árabe, um título que não existe nos catálogos – Confissões de um assassino econômico, do ex-agente da CIA John Perkins. O New York Times avaliou a ficha corrida de todos os livros no Lede, seu blog sobre a cobertura noticiosa do jornal.
Dificilmente a indicação de Bin Laden vai ajudar a carreira dos livros citados como a de seu arqui-inimigo e quase-xará Barack Obama, cuja simples menção a Terras baixas alçou o livro de Joseph O’Neill ao topo das listas de mais vendidos, como já noticiamos aqui. Uma boa mostra é a reação de Walt, de The Israel lobby…, entrevistado na quarta (16) pela National Public Radio: “ele não deve ter lido. Devem ter contado do livro para ele”.