
Detalhe da capa do livro. Ou melhor, do Blog (Foto: Thiago Facina)
Atualização: 23/12/09
O livro “Autoassassinato”, escrito pelo autor Ronaldo Pelli, membro da equipe de O Livreiro, será lançado hoje às 20h no prédio da Multifoco na Lapa, Rio de Janeiro. Saiba mais detalhes no site da editora.
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Desde o fim dos anos 90, a internet se transformou numa válvula de escape para escritores em todo o mundo e especialmente no Brasil, onde uma nutrida geração floresceu em fanzines eletrônicos como o Cardoso On Line, primeira casa de gente como Daniel Galera e Clarah Averbuck.
Ronaldo Pelli já integra uma segunda geração de blogueiros escritores, a mesma de Alex Castro e seu Mulher de um homem só, menos confessional e bukowskiana, mas nem por isso mais distante de seus leitores. Pelli, que já vem da publicação de uma coletânea de contos anterior, A primeira pessoa, tinha a possibilidade de publicar seu segundo livro, Autoassassinato, em papel. Mas, como o Bartelby de Melville, preferiu não fazê-lo – ao menos em papel. “Livro virou um objeto, um fetiche. Eu não quero isso, ou pelo menos só isso. Quero que as pessoas leiam, não que comprem”, diz ele.
Assim nasceu Autoassassinato, o blog, onde Pelli vai postar diversas vezes semanalmente (ele ainda experimenta com que frequência) capítulos do livro à maneira de um folhetim. É o inverso do que acontece: geralmente folhetins são publicados a contagotas e em seguida reunidos. “O primeiro tratamento era diferente. Quando reescrevi, já pensava que devia ter uma duração mais curta e que devia ter suas ênfases no início e no fim. Nada muito diferente do que faz quem escreve seriadamente em jornais ou para telenovelas”.
Embora a história já esteja fechada, Pelli interage na caixa de comentários do blog e não exclui a possibilidade de dar pistas falsas aos ansiosos que perguntam detalhes à frente da trama. Um trecho do prólogo:
Aproxima a folha de uma das velas. Percebe a chama amarelar, ensolarar o papel. Um furo e logo o papel é cinza e preto, e o fogo se espalha. Ele deixa a folha sobre as demais. Coloca uma segunda página e mais outra. Nada pode restar. O seu passado deve ser o seu livro, guardado no baú. Logo uma chama sobe pela parede, queima a madeira da mesa. Ele se afasta para observar o espetáculo, a fogueira, a pira. Era o momento de terminar.
Mais, intermitentemente, aqui.

