Arquivo para a categoria ‘Eu, Livreiro’

Desconhecido não é sinônimo de “Sem Talento”

Postado por O Livreiro em 22 de fevereiro, às 15:37  |  Comentários (5)

Por E. Landi, via Eu, Livreiro*

Pode não ser, porém para as editoras brasileiras o termo “desconhecido” chega até ser mesmo sinônimo de “sem talento”! É que o preconceito e exigências neste setor são tão grandes que se dão ao luxo de escolher os autores e até a temática para publicar; por exemplo: no momento existe uma grande demanda por livros de autoajuda, esotéricos e infantis; livros adultos, poesia e romances? Nem pensar! Isso não publica mesmo, nem a pau!

Resultado é que, muitos autores, cansados em levar portas à cara, partem para a produção independente, a qual certamente estará fadada ao fracasso; e digo isso porque sei como é difícil este caminho das pedras.
Produzir a obra, fazer todos os gastos de pré-impressão, levar ao prelo e depois, com o livro à mão, vender a quem? Por incrível que pareça a pior parte do processo não é escrever a obra, e sim divulgá-la. Alguns até conseguem, pedindo, mendigando de porta em porta para que fiquem com seus livros! Mesmo assim, o resultado final é irrisório. (mais…)

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Eu, Livreiro: Sylvia Moretzsohn responde a Jon Lee Anderson, da New Yorker

Postado por O Livreiro em 7 de outubro, às 12:58  |  Comentários (6)

No dia 3 de outubro, entrevistamos o jornalista e escritor americano Jon Lee Anderson, que se envolveu em uma controvérsia no Brasil após publicar uma extensa reportagem na revista New Yorker sobre as gangues de narcotraficantes no Rio de Janeiro. Muitos na imprensa brasileira consideraram a matéria, publicada dias antes de o Comitê Olímpico Internacional decidir a sede da Olimpíada de 2016, como uma peça de propaganda contra a candidatura carioca. Em nossa apresentação da entrevista, que pode ser assistida no vídeo abaixo, citamos dois artigos brasileiros sobre a reportagem da New Yorker: um de O Globo e outro do Observatório da Imprensa, este último escrito pela jornalista Sylvia Moretzsohn. Um dos temas da entrevista com Anderson foi a reação brasileira à matéria. Acreditando que ele se referia ao seu artigo, Sylvia escreveu a réplica a seguir, que publicamos sem qualquer alteração.

O blog do Livreiro destacou, no dia 3 de outubro, entrevista em vídeo com o jornalista Jon Lee Anderson em que ele faz comentários injustos e não fundamentados ao artigo que escrevi para o Observatório da Imprensa dois dias antes, criticando reportagem dele na revista New Yorker sobre o Rio de Janeiro. Diferentemente do que ele diz, meu artigo não tem nada de “ofensivo”, “sectário” ou “antiamericano”, embora seja contundente ao afirmar a irresponsabilidade do repórter em sua generalização sobre a violência na cidade e na publicação de uma série de informações alarmantes – como a de que o Rio é o líder mundial de homicídios dolosos – sem a necessária referência à fonte. Escrevi o artigo porque me surpreendi que um repórter tão respeitado e uma revista tão conceituada pudessem publicar tamanhos absurdos. Apresentei argumentos; ele apenas contra-atacou, sem oferecer respostas. Pelo contrário, aparentemente deu razão ao que escrevi, porque parece mesmo acreditar que sua própria experiência basta para tirar conclusões tão categóricas.

Devo dizer que me surpreendi ainda mais com a entrevista que vocês fizeram, porque em dado momento ele classifica de “forças hostis” os grupos de traficantes cariocas, como se fosse possível traçar algum paralelo com grupos guerrilheiros. É realmente espantosa a convicção que ele formou a respeito dos graves conflitos sociais que vivemos, aqui e em tantas outras grandes cidades.

Abaixo, o vídeo com a entrevista de Anderson.

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Eu, Livreiro: Policarpo Quaresma no Twitter

Postado por O Livreiro em 29 de setembro, às 16:51  |  Comentários (7)

Por MILENE SALLES DE OLIVEIRA, via Eu, Livreiro*

Triste fim de Policarpo Quaresma“, isso mesmo, estranho desse jeito. O fim do livro eu ainda ñ sei pq ñ cheguei lá, mas deve ser triste mesmo. Este cidadão patriótico, até a ponta do último fio de cabelo, julgava q poderia mudar o país através de seu vasto conhecimento e considerações que partiam daí. Teve a audácia de escrever um ofício solicitando q a língua oficial do Brasil fosse o tupi-guarani, hahaha. Essa foi a reação de todos, muitos risos e com direito a internação num hospício. Mas ele não ficou curado, ñ seria essa ‘humilhação’ q apagaria seus ideais.

Como bons brasileiros q somos, ‘policarpos quaresmas’ ñ são raridades. Estamos aí aos montes, teimosos, brigões, queremos ser ouvidos, ñ interessa a besteira em q acreditemos, o importante é termos plateia para aquilo q achamos importante. E qdo temos essa galera pra nos seguir, ah q maravilha! Taí o sucesso do Twitter. Antes a gente se esforçava correndo atrás, literalmente, dos olhos e ouvidos das pessoas. Agora podemos ser chatos pro mundo todo, e isso ñ tem preço rs.

*Eu, Livreiro é a seção dedicada a relatos pessoais, histórias ou entrevistas, sobre livros, autores, eventos e projetos literários dos próprios usuários da nossa rede social.

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Eu, Livreiro: Fernão Capelo Gaivota

Postado por O Livreiro em 29 de setembro, às 16:45  |  Sem comentários

Por FATIMA TAVARES, via Eu, Livreiro*

Li o livro qdo tinha 14 anos, adolescente,  na  época achei que podia fazer que nem Fernão,  liberdade para fazer o que queria, desvendar os mistérios da vida e do  mundo… mas me deparei com a educação rígida que recebia de minha mãe, meu pai tinha falecido há pouco, então meus vôos maiores foram na escola, não queria a mesmice de ter que participar do grupo mais forte, de andar com as meninas mais bonitas, de fazer parte de alguma panelinha… queria algo mais, participava de tudo: olimpíadas, teatro, dança, etc… fazia amizades com todos, até com aqueles que eram ridicularizados: os (as) Nerds…de início fui colocada meio que de lado pelas amigas, mas nem me importei, foi muito importante p/meu crescimento…

Hoje, um pouco mais experiente, lembro-me de Fernão aprendendo e sonhando em liberdade. Cresci e aprendi,  acredito nos meus sonhos e busco o que quero, mesmo quando encontro alguns obstáculos, sigo em frente, avançando, sem medo. Com entusiasmo, sorrisos, esperança e alegria. Amando e perdoando sempre… lição de Fernão Capelo Gaivota

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Eu, Livreiro: Semana Gustavo Teixeira

Postado por O Livreiro em 22 de setembro, às 12:00  |  Sem comentários

Por Albarus Andreos via Eu, Livreiro*

Foi aberta nesta semana, dia 18 de setembro, a “56ª Semana Gustavo Teixeira”, o maior evento cultural da cidade de São Pedro, interior de São Paulo, próximo 45km de Piracicaba, 230km de São Paulo.

Quem compareceu ao Museu Gustavo Teixeira não escondeu o entusiasmo com a abertura das exposições: “Caminhos da Conquista”, da Secretaria Estadual da Cultura; “Arcoirizando Gustavo Teixeira”, do cartunista Paulo Caruso, e “GustavAnglo”, preparada pelos alunos do Colégio Anglo – São Vicente de Paulo.

A 56ª Semana Gustavo Teixeira, iniciada nesta última sexta-feira, se estenderá até o dia 30 deste mês, tendo ainda uma feira de livros, que se iniciará nesta segunda, dia 21, e a participação do autor de livros de fantasia, Albarus Andreos, autografando seu novo livro A Fome de Íbus – Livro do Dentes-de-Sabre, nesta terça-feira, 22, dia do poeta, às 20h30, no Museu Gustavo Teixeira.

No dia 24, às 20h30 no Cine Teatro, haverá o Concerto da Primavera, com piano, canto e flauta transversal (Sandra Golinelli, Rosa Migatta e Cláudia Kiszely).

A programação completa pode ser consultada no site da prefeitura da estância turística de São Pedro, em http://www.saopedro.com.br/noticia.asp?n=59

* Eu, Livreiro é uma seção de O Livreiro que reúne textos enviados por membros da comunidade com histórias sobre livro, leitura, autores, eventos e projetos literários. Participe!

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Casa do Poeta Lindolf Bell

Postado por O Livreiro em 15 de agosto, às 00:00  |  Sem comentários

Por Marcelo Labes*

Por trás da obra, há o homem. Por trás do homem, há sua história. Diferente de imaginar como e onde vivia um autor, por que não visitar sua residência, ver de perto o que ele via (os móveis, as paisagens que as janelas oferecem) e ainda poder conhecer melhor a sua história?

Este espaço não é o primeiro e certamente não será o último. Depois de sua morte, vários espaços públicos receberam o seu nome. No entanto, o museu dedicado ao poeta Lindolf Bell, ou melhor, a Casa do Poeta, é um espaço de preservação que precisava ser criado não somente para preservar a memória do escritor como para permitir aos seus leitores o contato íntimo ali proporcionado.

Bell é referência em criação e distribuição de poesia. Sua morte, em 1998, criou uma imensa lacuna na poesia catarinense, que tinha em Bell, até então, seu maior arauto. Afinal, não se tratava somente de um poeta com seus versos publicados. (mais…)



Eu, Livreiro: o livro e seus poetas

Postado por O Livreiro em 9 de agosto, às 17:57  |  Sem comentários

Por Ricardo Cury , via Eu, Livreiro*

Meu avô é um homem de 90 anos, advogado e hoje sua única ocupação é refazer as poesias que criou no decorrer da vida, buscando o sinônimo que seja mais adequado pra entrar no lugar daquela palavra; palavra esta que em algum instante da sua vida foi a palavra perfeita: “Quando vier aqui, traga aquela edição do meu livro que te dei. Mudei uns versos”, me diz quase todo mês. Ele imprime a palavra nova e cola no livro mesmo, em cima da palavra antiga. Tenho muitos livros dele aqui em casa. Cada um com uma palavra diferente, tudo pelo parnaso.

“Com 90 anos não posso mais advogar. Faço isso pra ocupar a mente”, justifica. Para ele, Olavo Bilac é o maior. Ele tinha um livro chamado Tratado de Versificação, que é um livro onde Bilac explica todos os caminhos do parnaso. Era uma edição original que o acompanhava desde sempre.

Um dia recebeu um jovem poeta soteropolitano em sua casa dizendo que queria conhecê-lo. Depois de algumas horas de conversa, em uma distração de meu avô, o tal jovem poeta se mostrou um jovem larápio. Segundo meu avô, bem melhor larápio do que poeta. “Estava com ele nessa sala, mostrando alguns livros quando o telefone tocou e eu fui atender. Ele então, repentinamente, disse que tinha de sair e se foi com meu livro na sacola”.

Porém, apesar dos pesares, meu avô faz questão de dizer que sabe tudo daquele livro, que não precisava dele pra poder aplicar as regras. Inclusive até se deu ao luxo, com todo o respeito, de corrigir Bilac:

– No 13° soneto de Via Láctea, tem um cacófato”, diz meu avô.

Os versos em questão são: E eu vos direi: “Amai para entendê-las! Pois só quem ama pode ter ouvido Capaz de ouvir e de entender estrelas”.

– “Só quem ama” tá errado. Soquem é socar, é cacófato” – diz.

Segundo as leis do parnaso, cacófato é crime. Contudo, mesmo sabendo tudo, o ato de não ter o livro na estante era doloroso. Era como não ter aquele amigo que estava ali por perto sempre que precisava. Essa magia do livro é realmente algo inquietante. Algo que os e-livros nunca terão.

Fazendo uma matéria sobre sebos, fui a um e aproveitei pra perguntar: – Tem Tratado de Versificação? O cara procurou nas estantes até que encontrou uma edição.

– Quanto é?

Ele me mostrou a etiqueta com o preço:

– R$250, mas pra jornalista cobro metade.

Indo embora, lembrei que meu avô escreveu um livro que se esgotou e que tem as produções dele que mais gosto. Um livro muito divertido de sátiras sobre a Bahia chamado Urtigas e Malaguetas. Conhecia os textos, mas nunca tive o livro.

– Será que você teria o livro Urtigas e Malaguetas? – perguntei.

O cara procurou nas estantes até que encontrou uma única edição. Ele me mostrou a etiqueta com o preço:

– R$50, mas pra jornalista…

– Meu livro tava custando cinqüenta reais?! Que absurdo! Um livro não pode custar isso tudo – disse meu avô. Gostou muito do presente que dei e dia desses me ligou pedindo pra eu levar a minha edição de Urtigas e Malaguetas.

– Mudei umas coisas – disse ele.

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Eu, Livreiro: Duelo de Escritores em favor da Literatura

Postado por O Livreiro em 31 de julho, às 21:05  |  Sem comentários

Por Marcelo Labes, via Eu, Livreiro*

Há quem escreva porque tem necessidade de escrever, há quem escreva porque gosta de criar histórias, sem compromisso. Mas quem escreve sabe: mesmo que as idéias saltitem na cabeça do escritor, muitas vezes é difícil separar o tempo necessário para que elas sejam colocadas em prática, ou seja, sejam escritas. Pensando nisso, o pessoal do Duelo de Escritores teve uma excelente ideia: a cada dez dias, cada integrante tem de escrever seu texto e publicá-lo no blog. Assim os textos são lidos e, como se trata de uma competição, são votados pelos leitores. O vencedor da vez escolhe o tema da próxima rodada.

Formado por cinco autores — quatro rapazes e Marina, a caçula do grupo — o Duelo de Escritores recebe cada vez mais visitantes, dos quais grande parte passa a acompanhar a trajetória dos textos. Com regras definidas, cada autor tem dez dias para publicar seu texto, cujo tema foi escolhido pelo vencedor da última rodada. Após a publicação de todos os textos é aberto o espaço para os votos e os comentários.

Não deve ser tarefa fácil escrever com tema preestabelecido. De qualquer forma, o que vale é a criatividade de cada autor: pode-se muito rapidamente ir do riso à melancolia, do suspense à poesia e assim por diante. Como o que vale é o texto de cada autor — e pode-se falar realmente em autor, porque a qualidade dos textos é sempre muito boa — a opção por um norte temático, que poderia limitar a criação, oportuniza a leitura de ótimos textos em torno… do que vier à cabeça.

Projetos como o Duelo (como é carinhosamente chamado) – sem custo senão o tempo e sem prêmio senão os parabéns – dão à literatura eletrônica contornos interessantes: muitas vezes, o autor está mais preocupado em publicar do que em escrever, de fato. Aqui, expondo seu texto a outros autores e a um público leitor atencioso, é muito mais fácil ler o próprio texto com olhos críticos antes de expor à crítica alheia.

Procurando Duelo de Escritores no Google, o que se vê é que muita gente apostou na ideia desde o início. Mas houve quem pensou: “Logo eles cansam”. Não cansaram. Essa semana, o Duelo chegou à 60ª. rodada. Nesse tempo, foram mais de 300 textos e quase dois mil comentários. E, claro, milhares de leitores acompanhando os textos.

Uma visita merecida, sem dúvida. Não: um passeio. Quem não quiser esperar a próxima rodada para ler textos novos, pode viajar pelos arquivos, que remontam a novembro de 2007, e conhecer um pouco mais das obras de Fábio, Félix, Marina, Thiago e Rodrigo. Daí a adicionar o Duelo de Escritores em Favoritos é somente um pequeno passo que, quando se vê, já foi dado.

Visite: www.duelodeescritores.com

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“A Disneylândia dos desgraçados”

Postado por O Livreiro em 23 de julho, às 00:00  |  Sem comentários

Por Ricardo Cury*

Ouvi pela primeira vez o nome de Victor Mascarenhas quando ele dirigiu um clipe da brincando de deus, banda da qual fiz parte. Depois, por coincidência, fui trabalhar na agência de propaganda que ele era o diretor. Ficávamos na mesma sala, criando textos para vender jornal e celular. Porém, Victor também escrevia outras coisas e essas coisas viraram um livro chamado “Cafeína”, obra que reúne 12 contos de Victor, todos tendo Salvador e seus habitantes anônimos como cenário. Essa obra foi publicada pelo Prêmio Braskem de Literatura. Agora Victor quer subir mais um degrau nessa caminhada e prepara o seu primeiro romance. Sobre isso conversei com ele: (mais…)



Atiq Rahimi, uma leitura

Postado por O Livreiro em 7 de julho, às 15:39  |  Sem comentários

Por João Peçanha*

O escritor afegão do título andou flanando e sendo flanado pela última FLIP. Que bom que começou a ser percebido. Lá por 2003 ou 2004 chegou-me às mãos o seu bom “Terra e cinzas”, um conto longo ou novela, pouco aqui importam os rótulos, mas acima de tudo um bom texto.

Conta a história de um velho e um menino surdo que recém-perderam a família num bombardeio e vão atrás do pai do menino que ainda não sabe do massacre.

Destaque para o foco narrativo, que por vezes acontece no imperativo! Pense bem: se os personagens perdem tudo, como aconteceu no bombardeio àquela aldeia, tudo o que sobra é imobilidade. Assim, o narrador toma para si o que subsiste de ação e veste seu foco com o imperativo. Vale a leitura.

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