Por Tiago Cordeiro*

Cena do filme Linha de Passe
É meio paradoxal, mas o País do Futebol nunca produziu um filme que eu realmente gostasse sobre os inúmeros momentos memoráveis que tivemos. Aliás, não me lembro de muitas produções realmente dignas com jogadores como protagonistas, exceto os que produzi. Bom, ao menos os produidos na minha imaginação, já que não são só as mulheres que têm esse direito.
Em primeiro lugar, meu documentário sobre Romário. Intercalaria cenas de gols, frases polêmicas – “agora todos estão felizes: o rei, o príncipe e o bobo” – e entrevista com amigos, ex-companheiros etc. Não falaria com o baixinho. O futebol que jogou falaria por ele. O cartaz do filme teria Romário, com a camisa da seleção brasileira, comemorando um de seus gols com as mãos para cima. Cortado em seu peito, a frase: – quando eu nasci papai do céu olhou e disse “esse é o cara!” e o título provocativo do filme: Romário é rei. Teria problemas com a justiça, mas quem liga para direito de imagem? E o Polanski tá aí para provar que prisão só engrandece a obra.
Minha outra abordagem sobre futebol seria sobre a seleção de 58. Foi a primeira, a menos vista e a mais distante do nosso tempo de todas as outras campeãs do escrete canarinho. Algumas cenas me parecem épicas como Didi após o primeiro gol da Suécia com a bola na mão chamando o time para não se intimidar e reagir. O longa seria assim com um quê de 300 de Esparta.
Eu começaria a película com a derrota do Brasil para o Uruguai em 1950, com Pelé consolando o pai que chorava e afirmando: “pai, vou ganhar uma Copa do Mundo para você”. Corta. Oito anos depois, o mítico time do Botafogo e ele, Mestre Didi. Daí para frente, o inventor do chute da folha seca seria o personagem principal. No final, uma cena engraçadinha de Didi confuso com algum comentário de Pelé para o pai. Na seqüência, a câmera sobe e vemos o estádio. Didi olha para cima e vê o sol. Ele sorri. Ou algo assim. Aí, subiriam os créditos.
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Apesar de meus filmes serem muito mais legais, você pode encontrar filmes e livros essenciais sobre a paixão brasileira que realmente existem enquanto Hollywood não me descobre. Sempre procuro entender obras do assunto da seguinte forma: futebol é entretenimento. Ou o livro e o filme me entretém ou me faz ter uma nova visão sobre o esporte.
O melhor exemplo para mim é Pelé Eterno, documento precioso que consolida a hegemonia do camisa 10 do Santos como o atleta do século, acima do segundo melhor jogador do mundo, Zico. É um filme divertido, um pouco didático demais, mas sem ser algo pedante. faz falta mais filmes assim.
Veneno Remédio – O Futebol E O Brasil, de Jose Miguel Wisnik, é a minha recomendação para quem prefere algo menos pop e mais didático. É difícil ver o futebol de uma forma além do que rola nos gramados, mas acredite, o Brasil vai ser mais feliz quando tivermos mais torcedores que entenderem as consequências sócio-culturais de um drible. Acredite, elas existem.
E se você quiser se aprofundar no assunto, sugiro Fome de bola – Cinema e futebol no Brasil, de Luiz Zanin Oricchio. E não deixe de participar do nosso Quiz da Copa do Mundo.
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* Tiago Cordeiro é jornalista, profissional de mídias sociais e escreve os blogs Melhores do Mundo e Quinze Minutos. Gosta de falar sobre cultura pop, quadrinhos, futebol, mercado da comunicação e o que mais aparecer.
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Vc não falou daquele filme “Boleiros”.
Não vi, mas ouvi boas críticas e queria dar uma conferida…
E a biografia do Garrincha escrita pelo Ruy Castro daria um belo filme, não acha? (não, eu não considero aquela coisa que foi lançada há uns 5 anos atrás algo que possa ser chamado de “cinema”).
Max, acho “Boleiros” chatão. Não consegui terminar de ver de tão ruim…
A biografia do Ruy Castro virou um filme bem ruim mesmo com o André Gonçalves. Tens razão. Toda a dor de cabeça que o livro rendeu pra ele pode virar um filme ainda melhor.