Por Tiago Cordeiro*

Laerte poderia ser um nome tão europeu quanto Milo Manara. Sempre achei que Mike Deodato soa bem como Deodato Taumaturgo Borges Filho (o nome original do artista). Afinal é o “Deodato” ou seus desenhos que importam?
No início da popularização da internet, começou um movimento aqui e ali pela valorização das histórias em quadrinhos brasileiras. Boa parte adaptando o conceito datado que o crítico Paulo Emílio Salles Gomes expressou durante o cinema novo: “Até o pior filme brasileiro nos diz mais que o melhor filme estrangeiro.” Diz mesmo?
Não vejo sentido em defender o quadrinho nacional em um mundo onde dois artistas brasileiros como os irmãos Bá e Moon produzem álbuns com artistas internacionais. Aliás, com exemplos de boas e péssimas histórias.
Nessa linha, houve até quem defendesse absurdos como o que personagens dos quadrinhos norte-americanos como Capitão América, Cavaleiro da Lua e outros seriam plágios de super-heróis brasileiros do século passado. Nomes que você desconhece como Judoka, Satã e outros seriam os originais. Não vou perder tempo desmontando essas teses absurdas por um motivo simples: ainda que fosse verdade, existem outros motivos para a HQ nacional ter um volume e qualidade menor do que o que gostaríamos. E mesmo que o cenário não seja o ideal, está longe de ser ruim. 
Temos uma diversidade imensa de tiras que você pode ler a qualquer momento como o Malvados, de André Dahmer (para mim, o grande autor de tiras de sua geração); Mundinho Animal, de Arnaldo Branco, a produção variada da galera do Quarto Mundo e outros. Há também brasileiros fazendo sucesso aqui e lá fora além de álbuns nacionais incríveis como o espiritual Sete Vidas e o minimalista Sábado dos Meus Amores. O cenário é bom, promissor e, principalmente, não precisa de defesas ufanistas.
Não leia o quadrinho nacional. O melhor que você pode fazer pela nona arte brasileira é consumir bons quadrinhos, independente do país de origem. Não apóie a HQ brasileira simplesmente, mas fale sempre bem dos autores brasucasque você curte. Ao invés da gente valorizar o que fazem aqui, vamos comemorar as páginas boas que temos. Leia o bom quadrinho. Esse é o maior valor que a cultura brasileira pode receber de você.
* Tiago Cordeiro é jornalista, profissional de mídias sociais e escreve os blogs Melhores do Mundo e Quinze Minutos. Gosta de falar sobre cultura pop, quadrinhos, futebol, mercado da comunicação e o que mais aparecer.
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Today, I went to the beach front with my kids. I found a sea shell and gave it to my 4 year old daughter and said “You can hear the ocean if you put this to your ear.” She put the shell to her ear and screamed. There was a hermit crab inside and it pinched her ear. She never wants to go back! LoL I know this is totally off topic but I had to tell someone!
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