Toda segunda-feira, deixamos a vida de quem gosta de livros, mas não teve tempo para ler os suplementos do fim de semana, mais fácil. Reunimos os principais assuntos que saíram em quatro jornais, dois do Rio e dois de São Paulo, e publicamos a Resenha das resenhas. Aproveitem!
O Globo
O Prosa e Verso mostrou como o problema haitiano é visto pelos escritores emigrantes do país, ou os “nômades enraizados”, numa expressão cara aos entrevistados. Edwige Danticat, 41 anos, haitiana radicada nos Estados Unidos, afirma que a literatura do país vai ser afetada pela catástrofe: “Vai ter o antes e o depois do terremoto.”
O autor norte-americano William Kennedy, cujo O grande jogo de Billy Phelan está sendo lançado agora no Brasil, foi longamente entrevistado e afirmou: “Quero ir para aquela feira literária que existe em Paraty.” Kennedy, que teve seu Ironweed levado às telas do cinema pelas mãos do diretor Hector Babenco, também foi objeto de um texto de seu tradutor, Sérgio Flaksman, que o encontrou em Albany, a capital do estado de Nova York, cenário de seus livros.
O suplemento também publicou resenhas sobre livros de John Fante (O vinho da juventude, em texto assinado pelo craque da crítica Silviano Santiago), Marcelo Mirisola (Memórias da sauna finlandesa) e Flávio Braga (O olhar cingido). Além disso, o editor Luiz Schwarz escreve um texto-despedida sobre o escritor argentino Tomás Eloy Martínez, que faleceu na semana passada. Infelizmente, todos os textos estão fechados para cadastrados.
Jornal do Brasil
O Ideias & Livros entra no clima de carnaval com o livro que já pode ser considerado o principal lançamento relacionado ao tema este ano – já falamos dele aqui. Samba de enredo: história e arte, de Alberto Mussa e Luiz Antonio Simas, faz um apanhado do gênero musical que guia as escolas. O mundo, romance com tintas autobiográficas de Juan José Millás que ganhou alguns prêmios, é analisado em resenha generosa. O editor Álvaro Costa e Silva se dedica a Subsidiário: confissões, memórias & história, diário do escritor Herberto Sales, em que o destaque fica por conta das páginas em que descreve sua relação com Marques Rebelo. Há ainda resenha sobre Bendito Maldito, biografia escrita por Oswaldo Mendes sobre o dramaturgo Plinio Marcos, expoente do “teatro-verdade” brasileiro. E, como destaque da edição, um texto emocionado de Miguel Sanches Neto sobre Wilson Martins, crítico literário morto recentemente.
Estadão
O Caderno 2 de sábado mostrou uma tendência nas editoras brasileiras, que já acontece nas estrangeiras: publicar livros de diálogos entre escritores de renome. É o caso de Amor em texto, amor em contexto, que trata de uma conversa entre Ana Maria Machado e Moacyr Scliar, que aconteceu na Academia Brasileira de Letras.
No domingo, o suplemento também trouxe em sua capa o escritor norte-americano William Kennedy. Kennedy foi entrevistado e afirmou: “Acho que um escritor tem apenas uma obrigação: escrever bem”.
O argentino Ricardo Piglia é lembrado, por causa de seu Respiração artificial, que, segundo o texto, “alia formas narrativas originais, tradição literária e reflexões sobre o regime militar”.
Já o escocês Irving Welsh, autor de Trainspotting, recebe texto do também escritor Marcelo Rubens Paiva por causa da obra – que tem o sugestivo título – Se você gostou da escola, vai adorar trabalhar, que Rubens Paiva chamou de “breve tratado sobre desajustados”.
Folha de SP
A Ilustrada de sábado traz resenha de Loucos pela tempestade, best-seller nos EUA em que Norman Ollestad, um sobrevivente de acidente aéreo, conta sua aventura. A tragédia, em 1979, matou seu pai e gerou um trauma no rapaz, então com 11 anos, que levou 30 para superar e transformar a história em livro. No domingo, o caderno Mais! dedica texto-homenagem ao crítico Wilson Martins, como o JB, e avisa: seu livro de maior envergadura, História da Inteligência Brasileira, será relançado em 2011.
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