Como adaptar um livro de mais de 300 páginas para um filme de menos de duas horas? E como pegar uma história de menos de 50 páginas, com vários desenhos e poucas frases e transformá-lo em um longa-metragem? E, ainda, como fazer para adaptar aquele romance praticamente impossível de se imaginar em imagens e sons?
Algumas pessoas, como boa parte do pessoal desta comunidade, acredita que o livro é sempre melhor que o filme. Mas passar uma obra de uma linguagem para outra requer muitos artifícios, inclusive desrespeitar completamente o original para, no fim, ser fiel a ele.
Quem leu O coração das trevas, clássico do polonês radicado na Inglaterra Joseph Conrad, e depois viu Apocalipse now, obra-prima do cineasta ítalo-americano Francis Ford Coppola, até percebe que os nomes de alguns personagens são iguais, além de ter citações praticamente iguais em ambos os casos, mas pode, talvez, deixar passar as demais semelhanças.
A verdade é que o longa-metragem (põe longa nisso, dependendo da versão, passa das três horas com folga) de Coppola se inspirou no livro de Conrad, mostrando como o ser humano enlouquece ao ser defrontado com a selvageria, em suas mais diversas formas. Mas nesse caso, pode se dizer que O coração das trevas foi apenas uma inspiração para Apocalipse now. Não uma versão integral, a começar pelos títulos diferentes.
Não é o caso de Amor sem escalas, livro de Walter Kirn, filme de Jason Reitman (cujo título original em inglês tanto no papel quanto no cinema, Up in the air, algo como “Lá no céu”, combina melhor com a proposta). Porque se o filme de Reitman se disfarça de comédia romântica (mas, lembre-se, é só um disfarce) para falar de um executivo que vive de um lado para o outro pelos céus americanos a demitir gente, o livro de Kirn é um romance psicológico, que mostra um personagem que vive voando pelas aeroviárias dos EUA e adoecendo por dentro.
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No fundo, os dois respeitam os nomes de alguns personagens – o protagonista, por exemplo, se chama Ryan Bingham em ambos os casos e é interpretado por George Clooney nas telonas – e a profissão de Bingham, uma espécie de conselheiro, ou consultor, para empresas que querem fazer reengenharia de pessoal, também conhecida como demissões de massa. Ambos mostram como funciona a cabeça de um executivo bem-sucedido que cria uma competição interna consigo mesmo e fica obcecado por chegar ao objetivo, em detrimento de todas as outras coisas.
Mas Reitman (que antes tinha feito Obrigado por fumar e Juno) e o outro roteirista Sheldon Turner fazem opções que tornam o filme praticamente irreconhecível para um espectador menos atento. A ponto de o livro, aproveitando o lançamento do filme, ter um título sem sentido em português. No livro, não há amor explícito.
No filme, os pais de Bingham são suprimidos e uma série de ambições, desconsideradas. Em compensação, há o fortalecimento de outros personagens, criação de novos conflitos e situações que demonstram a mesma sensação que o livro passa: a perdição completa diante de uma América viciada em disputas desnecessárias, em palestras de gurus efêmeros, de gente que vê nos empregos a única maneira de felicidade enganosa.
Essa é, a meu ver, a melhor forma de adaptar uma obra para diferentes linguagens. Desrespeitando o seu original para, ao fim, ser-lhe fiel. Falar de outro jeito, à maneira do seu veículo, sobre o tema a que o original já instigava. Dar vazão às possibilidades, admitir seus próprios limites e trabalhar sobre as suas próprias regras. Como é Apocalipse now.
No caso de Amor sem escalas, os roteiristas fazem uma transposição correta, mesclando bem os ingredientes disponíveis com elementos novos. Mas, infelizmente, sua “fidelidade infiel” não a torna uma obra-prima, pelo contrário. De um romance psicológico tedioso nasceu um filme mediano, contando ainda com um final surpreendente (o que não é, definitivamente, um elogio).
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Acho q existem diversas situações. O único livro q li e gostei e depois gostei tb do filme foi “A insustentável leveza do ser”. Normalmente, quando gostamos de um livro, o filme não corresponde à nossa expectativa. Por outro lado, não conhecia o livro “As horas”, nem seu autor, e foi depois de ver o filme q li o livro (gostei mais do livro, mesmo tendo gostado do filme) e q conheci o autor e li outras obras dele, q tb gostei. Já “O Código Da Vinci”, por exemplo, não consegui ler o livro por causa do estilo manjado e enjoativo de Best seller. Mas gostei do filme pois, por uma hora e meia ou 2, é uma boa diversão, um bom filme digestivo, pra relaxar. Então, como disse no começo, há várias situações possíveis para encarar o caso da transformação de um livro em um filme. Só não dá pra admitir mudar o final de um livro clássico no filme. Vi um filme sobre “O Conde de Montecristo” onde alteraram completamente o final, pra terminar td bem. Não me conformei, aí já é demais. Já pensou vc ir ver um filme sério sobre “Romeu e Julieta” e eles se casarem e viverem felizes para sempre??? Os autores se contorcem na tumba e a gente na poltrona do cinema. Daí não dá, de jeito nenhum.
Abraços,
Rosely.
Oi Rosely!!!
Eu como você também gostei do livro e do filme ” A insustentável leveza do ser”. Com “As horas”, também não conhecia o autor, gostei muito do filme e por isso comprei o livro, que diga-se de passagem, gostei muito também. Com relação ao “Código Da Vinci”, lí o livro e achei até um pouco chato, mas gostei do filme. Concordo com você quando diz que existem várias situações para encarar a transformação de um livro em filme. Quando eu lí “O Estrangeiro” de Albert Camus, não imaginava que alguém pudesse fazer uma adaptação para o cinema. Foi aí que descobri o filme de Luchino Visconti “Lo Straniero” com Marcello Mastroianni, eu nunca havia visto uma adaptação cinematográfica tão fiel ao livro.Apesar do fracasso do filme, vale a pena conferir.
Abs
Mapersa.
Esqueci de comentar mais duas adaptações de livros para o cinema que eu gostei bastante. A primeira é Madame Bovary de Gustave Flaubert, na versão de Claude Chabrol para o cinema com Isabelle Huppert e a segunda é O Nome da Rosa filme de Jean- Jacques Annaud com Sean Connery que não chegou a ser uma adaptação mas sim, baseado no romance Humberto Eco. Gostei muito dos dois, livros e filmes. Só para constar.
Abraços
Mapersa
EU GOSTO MUITO DE LER MAS , VALE MUITO APENA QUANDO SE PODER DAR UM ROSTO QUE NÃO É DA SUA IMAGINAÇÃO AOS PERSONAGENS DA HISTÓRIA , CLARO QUE OS LIVROS SEMPRE SÃO BEM MAIS EMOCINANTES QUANTO OS FILME MAS TUDO ISSO É MUITO IMPPORTANTE PARA NOSSA VIDA , VER OU LER TUDO AJUDA NO CONHECIMENTO E AMPLIA NOSSA VISÃO DE MUNDOS QUE AS VEZES SÃO BEM PARECIDO COM OS NOSSOS , E MUITAS VEZES NÉ NOS DAMOS CONTA DISSO , QUE PODERIAMOS ESTAR DENTRE DE UMA LINDA HISTÓRIA !!