Mayra Dias Gomes – Filha do dramaturgo Dias Gomes, Mayra estreou no mundo dos livros aos 17 com o pungente (e totalmente autobiográfico) Fugalaça. No livro, contava a fuga autodestrutiva de Satine (uma menina de elite que acabava de perder o pai – como a própria Mayra) através de amores instáveis, drogas de sobra e autodescoberta perplexa. Embora os críticos considerem esse tipo de personagem território gasto (caso desse, no Digestivo Cultural), reconheceram na prosa da moça fluidez e alguma valentia no trato de temas tão comuns. Na verdade, foi ela a inaugurar o estilo escrevo-tenho-tatuagens-e-sou-gostosa, primeiro na Vip e em seguida na Playboy. Outra coincidência: a orelha de seu livro é assinada por uma certa Fernanda Young. Sua segunda obra, escrita na tenra idade de 21 anos, chama-se Mil e uma noites de silêncio. Ao que parece não é tão autobiográfico: menina abandonada pelos pais biológicos e pelo noivo (no altar) sai em busca de um laço que seja verdadeiro. Luciano Trigo conversou com a beldade sobre o livro no seu Máquina de Escrever.
Alice Denham - Se alguém pode reclamar o título de pioneira nesse campo, esse gracioso alguém é a americana Alice Denham. Ela adornou as páginas da Playboy com suas curvas cobertas de pó-de-arroz no longínquo ano de 1956. Como La Young, escreveu um pequeno conto que acompanhou o ensaio (foi a primeira a fazer isso, ao menos na revista). Alice era uma criatura literária: tirava a roupa para poder escrever e sustentar sua vida na boemia novaiorquina dos anos 50 e 60, quando se tornou amiga (e em alguns casos levou pra cama) grandes da literatura e do cinema como Norman Mailer, James Dean, Philip Roth e Jack Kerouac. Escreveu dezenas de contos e novelas como Amo e My darling from the lions (”minha querida dos leões” seria a estranha tradução literal) e em 2006 lançou um livro de memórias, Sleeping with bad boys, (”dormindo com maus meninos”), que conta seus dias pulando entre as camas mais literatas de seu tempo (”James Dean cheirava a baunilha”, lê-se no New York Times). Para quem se interessar, ela ainda dá aulas de creative writing na City University de Nova York. Vá apenas com boas intenções, que a moça tem 76 anos.
Juliette Fretté – À primeira vista (e talvez à vigésima primeira também) Juliette é uma coelhinha como outra qualquer: carinha de barbie, olhinhos de bola-de-gude, cabelo loiroso, pernas esquias e ampulheta batendo com precisão o clássico 90-60-90. Ela apareceu pela primeira vez na Playboy como coelhinha-caloura (ou seja lá como são chamadas essas beldades de pouco mais de 18) e meses depois estava esparramada no centerfold de Miss Junho de 2008. O que ninguém sabia, talvez nem ela própria naquele momento, é que os ensaios e a pouca roupa eram o trabalho de campo para sua tese para a graduação na UCLA em Women Studies, essa disciplina tão americana dos estudos de gênero. O título merece um Prêmio Jabuti: Posing for Playboy from a feminist perspective: How Media Images Impact Women’s Empowerment (algo como “posando para a Playboy a partir de uma perspectiva feminista: como as imagens midiáticas influenciam o poder feminino”). Juliette é crítica de arte e literatura em revistas como WhiteHot e Lit & Music Review e além de tudo pinta, como se pode ver na galeria de seu site.
Wendy Guerra – Talvez essa poeta cubana seja simultaneamente a mais resguardada e a mais libertária de todas as que aparecem aqui. Posou nua mais que todas, certamente, mas nunca (até onde se sabe) por dinheiro: “Para mim é um gesto cotidiano que me remete ao tempo da Escola de Arte, onde meus companheiros de Artes Plásticas não podiam pagar modelos fora da classe e éramos nós, suas colegas, quem posávamos para todo tipo de obra”, explica ela nessa entrevista à revista espanhola Interviú. “Não estamos preparados ainda para que intelectuais passem diante de um corpo nu”. Wendy, autora de livros como Cabeza rapada (”cabeça raspada”) e Todos se van (”todos se vão”), é uma das principais vozes da literatura cubana hoje e a sexualidade e o nu são interesses artísticos importantes. Suas colaborações para a revista Encuentro, especialmente contos como Olga ya no es un nombre ruso (”Olga já não é um nome russo”), são um bom exemplo, mas não fica nisso. No momento ela conduz uma pesquisa detalhada sobre a passagem de Anais Nïn – sim, a amante de Henry Miller – por Cuba.
E você, caro(a) leitor(a), tem fotos de algum escritor(a) nu(a)? Qual escritor(a) gostaria de ver ao natural? Por que?
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de acordo com a mayra nem foi tão autobiografico total assim, teve bastante elemento de ficção… mas a pesquisa tá muito boa!
A questão é que a maioria das pessoas pensa que uma mulher bonita não pensa.
O ser ou não poeta está na alma e não no corpo das pessoas.
O saber escrever é que faz a diferença.
Muito bom! Isso mostra que as mulheres podem ser bonitas, atraentes, inteligentes e influentes ao mesmo tempo.
concordo, michele. existem outras tantas mulheres realizando trabalhos super interessantes pelo mundo que são lindas. e, na boa, eu acho que um ser humano inteligente é muito mais charmoso. :-)
beleza é importante,mais a inteligência é fundamental,.,certeza!
Muito legal este post Douglas!! Na Colombia, o meu pais, se nao lembro mal, a revista SoHo (revista tipo VIP ou Trip) ja publicou algumas fotos de uma ou duas escritoras jovens com pouco roupa. Vou procurar mais para ter certeza!
Não podemos esquecer da bunda de Simone de Beauvoir, a única coisa realmente boa que o Sartre realizou.
Mas, graças a Gutemberg, não me lembro de nenhum ensaio nu da Susan Sontag… :P
Compartilhe o link conosco, Júlio!
Aliás, aqui vai uma foto do grande Bukowski à vontade, com sua cervejinha, cortesia de uma fonte que não quis ser nomeada: http://velharias.files.wordpress.com/2007/10/201.jpg
eu queria ver o bernardo carvalho… com aquela timidez linda dele…
concordo com a Michele e com a Verena,realmente existem muitas mulheres lindas fazendo belos trabalhos,mas tambem nao podemos esquecer que tem muitas querendo aparecer.
Excelente texto, querido Douglas.
Gostei da provocação da Verena Petitinga: cadê os ensaios de nus masculinos com os nossos autores?
Acredito que as mulheres gostariam de ver os mais velhos sem roupa… Algo entre Chico Buarque e Milton Hatoum. Homens maduros, com algo a dizer. Daniel Galera é dos poucos jovens que me vêem à memória pela beleza.
Enfim, mulherada, o que vocês me dizem?
Eu amo a Mayra.
aDORAMOS!
E a Maitê Proença??? Ela tb é escritora..A Bruna Lombardi já posou tb?
Eu acho que a Fernanda Young está se achando uma “Deusa” por se achar inteligente e adorada pelas Lesbicas, acho que qualquer mulher pode ser adorada pelas Lesbicas e a palavra no momento é dela portanto temos que aguentar qualquer coisa
Eu realmente não sei como o nome não apareceu antes, ma tenho a sensação de que Clarice Lispector batia um bolão.
Olha, aguentamos os ultimos meses a playboy colocando aquelas porcarias de Mulher Melancia e Valesca Popozuda, a Fernanda Young da um show nessas ai, tem estilo, é sensual, nao é gorda e sem cérebro como a melancia
O Ensaio de Fernanda Young surpreendeu. O pequeno conto casou perfeitamente com o clima pornchic das fotos. Acho que a questão em si não deve ser apenas o nu, e sim o ensaio como um todo, pois uma escritor ou escritora não se põe a fazer poses sensuais. Deve haver sim, um conceito especial. Neste caso eu gostaria de ver ensaios de Clarah Averbuck e Santiago Nazarian.
Essa Mayra eu comeria… já a Fernanda Old… acho que só o boquete prestava.
A Syang também é tatuada, escritora e posou nua!
*ironia*
acho que mais interessante ainda do que posar nua, seria o caso da nossa escritora Raquel Pacheco (Bruna Surfistinha), que alem de ficar nua para alguns caras por ai, fez programa !!