Muito além de Fernanda Young

Postado por Douglas Duarte em 15 de novembro, às 11:00 e arquivado em Notícias  |  Comentários (22)

Fernanda Young Bob Wolfeson PB DIV

Fernanda, de Bukowski na mão: parte de uma tradição

É o assunto inescapável da semana: parece que onde quer que se olhe há alguém comentando, escrevendo, criticando, elogiando ou estranhando o ensaio fotográfico da escritora, roteirista e apresentadora de TV Fernanda Young na Playboy desse mês. Longe de achar que a discussão é indevida, gostaria de chamar a atenção do leitor para, como dizer?… precedentes. Conheça outras quatro moças que exibiram seus talentos nas prateleiras – e também com pouca roupa:

Divulgação / Vip

Mayra Dias Gomes – Filha do dramaturgo Dias Gomes, Mayra estreou no mundo dos livros aos 17 com o pungente (e totalmente autobiográfico) Fugalaça. No livro, contava a fuga autodestrutiva de Satine (uma menina de elite que acabava de perder o pai – como a própria Mayra) através de amores instáveis, drogas de sobra e autodescoberta perplexa. Embora os críticos considerem esse tipo de personagem território gasto (caso desse, no Digestivo Cultural), reconheceram na prosa da moça fluidez e alguma valentia no trato de temas tão comuns. Na verdade, foi ela a inaugurar o estilo escrevo-tenho-tatuagens-e-sou-gostosa, primeiro na Vip e em seguida na Playboy. Outra coincidência: a orelha de seu livro é assinada por uma certa Fernanda Young. Sua segunda obra, escrita na tenra idade de 21 anos, chama-se Mil e uma noites de silêncio. Ao que parece não é tão autobiográfico: menina abandonada pelos pais biológicos e pelo noivo (no altar) sai em busca de um laço que seja verdadeiro. Luciano Trigo conversou com a beldade sobre o livro no seu Máquina de Escrever.

Alice2

Alice Denham - Se alguém pode reclamar o título de pioneira nesse campo, esse gracioso alguém é a americana Alice Denham. Ela adornou as páginas da Playboy com suas curvas cobertas de pó-de-arroz no longínquo ano de 1956. Como La Young, escreveu um pequeno conto que acompanhou o ensaio (foi a primeira a fazer isso, ao menos na revista). Alice era uma criatura literária: tirava a roupa para poder escrever e sustentar sua vida na boemia novaiorquina dos anos 50 e 60, quando se tornou amiga (e em alguns casos levou pra cama) grandes da literatura e do cinema como Norman Mailer, James Dean, Philip Roth e Jack Kerouac. Escreveu dezenas de contos e novelas como Amo e My darling from the lions (”minha querida dos leões” seria a estranha tradução literal) e em 2006 lançou um livro de memórias, Sleeping with bad boys, (”dormindo com maus meninos”), que conta seus dias pulando entre as camas mais literatas de seu tempo (”James Dean cheirava a baunilha”, lê-se no New York Times). Para quem se interessar, ela ainda dá aulas de creative writing na City University de Nova York. Vá apenas com boas intenções, que a moça tem 76 anos.

Juliette 1

Juliette Fretté – À primeira vista (e talvez à vigésima primeira também) Juliette é uma coelhinha como outra qualquer: carinha de barbie, olhinhos de bola-de-gude, cabelo loiroso, pernas esquias e ampulheta batendo com precisão o clássico 90-60-90. Ela apareceu pela primeira vez na Playboy como coelhinha-caloura (ou seja lá como são chamadas essas beldades de pouco mais de 18) e meses depois estava esparramada no centerfold de Miss Junho de 2008. O que ninguém sabia, talvez nem ela própria naquele momento, é que os ensaios e a pouca roupa eram o trabalho de campo para sua tese para a graduação na UCLA em Women Studies, essa disciplina tão americana dos estudos de gênero. O título merece um Prêmio Jabuti: Posing for Playboy from a feminist perspective: How Media Images Impact Women’s Empowerment (algo como “posando para a Playboy a partir de uma perspectiva feminista: como as imagens midiáticas influenciam o poder feminino”). Juliette é crítica de arte e literatura em revistas como WhiteHotLit & Music Review e além de tudo pinta, como se pode ver na galeria de seu site.

Wendy Guerra – Talvez essa poeta cubana seja simultaneamente a mais resguardada e a mais libertária de todas as que aparecem aqui. Posou nua mais que todas, certamente, mas nunca (até onde se sabe) por dinheiro: “Para mim é um gesto cotidiano que me remete ao tempo da Escola de Arte, onde meus companheiros de Artes Plásticas não podiam pagar modelos fora da classe e éramos nós, suas colegas, quem posávamos para todo tipo de obra”, explica ela nessa entrevista à revista espanhola Interviú. “Não estamos preparados ainda para que intelectuais passem diante de um corpo nu”. Wendy, autora de livros como Cabeza rapada (”cabeça raspada”) e Todos se van (”todos se vão”), é uma das principais vozes da literatura cubana hoje e a sexualidade e o nu são interesses artísticos importantes. Suas colaborações para a revista Encuentro, especialmente contos como Olga ya no es un nombre ruso (”Olga já não é um nome russo”), são um bom exemplo, mas não fica nisso. No momento ela conduz uma pesquisa detalhada sobre a passagem de Anais Nïn – sim, a amante de Henry Miller – por Cuba.

wendy 2

E você, caro(a) leitor(a), tem fotos de algum escritor(a) nu(a)? Qual escritor(a) gostaria de ver ao natural? Por que?

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22 comentários para “Muito além de Fernanda Young”

  1. de acordo com a mayra nem foi tão autobiografico total assim, teve bastante elemento de ficção… mas a pesquisa tá muito boa!

  2. A questão é que a maioria das pessoas pensa que uma mulher bonita não pensa.
    O ser ou não poeta está na alma e não no corpo das pessoas.
    O saber escrever é que faz a diferença.

  3. Michele Carvalho disse:

    Muito bom! Isso mostra que as mulheres podem ser bonitas, atraentes, inteligentes e influentes ao mesmo tempo.

    • concordo, michele. existem outras tantas mulheres realizando trabalhos super interessantes pelo mundo que são lindas. e, na boa, eu acho que um ser humano inteligente é muito mais charmoso. :-)

  4. Ricardo Corredor disse:

    Muito legal este post Douglas!! Na Colombia, o meu pais, se nao lembro mal, a revista SoHo (revista tipo VIP ou Trip) ja publicou algumas fotos de uma ou duas escritoras jovens com pouco roupa. Vou procurar mais para ter certeza!

  5. Júlio disse:

    Não podemos esquecer da bunda de Simone de Beauvoir, a única coisa realmente boa que o Sartre realizou.

    Mas, graças a Gutemberg, não me lembro de nenhum ensaio nu da Susan Sontag… :P

  6. Aliás, aqui vai uma foto do grande Bukowski à vontade, com sua cervejinha, cortesia de uma fonte que não quis ser nomeada: http://velharias.files.wordpress.com/2007/10/201.jpg

  7. eu queria ver o bernardo carvalho… com aquela timidez linda dele…

  8. Emilson Maximo disse:

    concordo com a Michele e com a Verena,realmente existem muitas mulheres lindas fazendo belos trabalhos,mas tambem nao podemos esquecer que tem muitas querendo aparecer.

  9. Excelente texto, querido Douglas.
    Gostei da provocação da Verena Petitinga: cadê os ensaios de nus masculinos com os nossos autores?
    Acredito que as mulheres gostariam de ver os mais velhos sem roupa… Algo entre Chico Buarque e Milton Hatoum. Homens maduros, com algo a dizer. Daniel Galera é dos poucos jovens que me vêem à memória pela beleza.
    Enfim, mulherada, o que vocês me dizem?

  10. Julia Cardoso disse:

    Eu amo a Mayra.

  11. Valéria Souza disse:

    E a Maitê Proença??? Ela tb é escritora..A Bruna Lombardi já posou tb?

  12. Cláudio disse:

    Eu acho que a Fernanda Young está se achando uma “Deusa” por se achar inteligente e adorada pelas Lesbicas, acho que qualquer mulher pode ser adorada pelas Lesbicas e a palavra no momento é dela portanto temos que aguentar qualquer coisa

  13. Douglas disse:

    Eu realmente não sei como o nome não apareceu antes, ma tenho a sensação de que Clarice Lispector batia um bolão.

  14. Olha, aguentamos os ultimos meses a playboy colocando aquelas porcarias de Mulher Melancia e Valesca Popozuda, a Fernanda Young da um show nessas ai, tem estilo, é sensual, nao é gorda e sem cérebro como a melancia

  15. O Ensaio de Fernanda Young surpreendeu. O pequeno conto casou perfeitamente com o clima pornchic das fotos. Acho que a questão em si não deve ser apenas o nu, e sim o ensaio como um todo, pois uma escritor ou escritora não se põe a fazer poses sensuais. Deve haver sim, um conceito especial. Neste caso eu gostaria de ver ensaios de Clarah Averbuck e Santiago Nazarian.

  16. André disse:

    Essa Mayra eu comeria… já a Fernanda Old… acho que só o boquete prestava.

  17. ro disse:

    A Syang também é tatuada, escritora e posou nua!

    *ironia*

  18. daniel disse:

    acho que mais interessante ainda do que posar nua, seria o caso da nossa escritora Raquel Pacheco (Bruna Surfistinha), que alem de ficar nua para alguns caras por ai, fez programa !!

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