Novos latinos: Orlando Luis Pardo

Postado por Douglas Duarte em 6 de novembro, às 20:00 em Notícias  |  Sem Comentários
OrlandoLuisPardoLazo blog

Pardo: citações de erudito, poética copypaste de rapero (Foto: divulgação)

Quem quer ler coisas de Cuba no Brasil tem três alternativas, todas ótimas: ler De Cuba com carinho, livro da blogueira Yoaní Sánchez que reúne seus despachos no blog Generación Y e se tornou um best-seller nas últimas semanas; ler os poucos livros de Leonardo Padura Fuentes que saíram por aqui; ou recorrer à prosa miller-rebolante de Pedro Juan Gutiérrez. Todos retratam à sua maneira uma Havana decadente, complicada e atravancada pela política (embora apenas Yoaní fale desabridamente sobre esse aspecto).

Mas é claro que isso não dá conta da experiência cubana ou sequer da diversidade de vozes dentro do país. Falta a prosa límpida de Ena Lucía Portela, que se pode conferir no premiadíssimo conto El asesino y yo. Ou petulância de Wendy Guerra, quase uma Fernanda Young habanera, sem problemas em posar nua para fotos e falando livremente sobre sexo (comum) e tabus (raro, em se tratando do país) em contos como Olga ya no es nombre ruso.

Ambas podem ser lidas na ótima Encuentro de Cuba, revista que pode ter até começado como bastião de resistência ao regime Castro mas descobriu rapidamente que mais coisas (alguém diria “coisas mais importantes”) a fazer que apenas reclamar de Fidel, Raul, Che ou o que seja. Há também sites dentro da ilha como La Jiribilla, que (geralmente) conseguem publicar coisas interessantes.

Mas preciso confessar que nada havia me preparado para a acachapante prosa de Orlando Luis Pardo, que descobri quando buscava o representante cubano desta coletânea. O homem é um copypaste ambulante, prenho de referências eruditas que são servidas com doses fartas de trocadilhos e numa métrica que lembra bastante o rap tão querido na ilha. Pardo já publicou Collage Karaoke, Empezar de cero, Ipatrías, Mi nombre es William Saroyan, Boring home e edita os zines Cacharro(s) e The Revolution Evening Post.

O texto a seguir é uma atualização urgente, apressada, de Três tigres tristes, clássico de Guillermo Cabrera Infante que trocadilhava sobre a noite habanera, sua música, sua beleza e seu submundo. Percebemos logo que quase tudo é submundo nessa Havana atual, já que viver pela métrica do governo ficou impossível há algum tempo. Tentei  contextualizar algumas das referências que Pardo faz à toda, sem se preocupar em tomar fôlego. Abaixo, em links. No PDF que você pode baixar aqui, em notas de pé de página mais completas. Você ainda pode ler o texto no original, o que recomendo.

Conheça os outros autores da série

Atualização: ficamos sabendo ao longo do fim de semana que Pardo e a blogueira Yoani Sánchez foram detidos e agredidos pela polícia cubana. Leia mais sobre o caso aqui.

***

Treze tristes tigres

Estes, Fidel, ai que dor, que vês agora

campos de solidão, murcho valado,

foram um tempo Habánica famosa.

1. A Havana que foi quinta

O 1º de janeiro de 1959 foi uma quinta. Disso ninguém em Havana se recorda. Entre outras coisas porque, salvo um par de parquímetros quebrados e um poema oportuno de sobrevida, tampouco há muito que recordar. Havana era assim. Louca e amnésica, invadida mais por gibis que marines. Apaticamente patética. Tão heróica quanto Santiago de Cuba, mas cínica e setentrional. Impossível, então, contar com ela para protagonizar a barbárie barbada de sua epopeia.

O 1º de janeiro de 1959 foi uma quinta. Disso ninguém em Havana se recordará. Entre outras coisas porque, salvo um par de milhões de cubanos fora de Cuba e outros tantos poemas oportunistas de sobremesa, tampouco haverá muito que recordar. Havana continua sendo assim. Loquaz e hiperstésica, regurgitando dissabores ridículos com uma inércia infantil. Patrioticamente apátrida. Tão hedonista quanto Santiago de Cuba, mas cívica e ainda setentrional. Impossível contar com ela hoje para protagonizar a piada épica de sua alopécia.

2. Hiroshimavana, mon amour

A Havana dos anos zero é um balão: uma borbulha de agás, uma câmara de gás contra os mosquitos Aedes. Fumigamos contra a roleta russa da pandemia. A América Central é um foco. O fluxo de estudantes é muito intenso. E a cada ano há novos surtos de hemorrágica que recebem tratamento grátis, mas nunca diagnóstico: a dengue é um top secret da segurança nacional.

O fumacê apaga os bairros enquanto as sirenes anunciam que não é outro alarme falso. Os enfisemas sabotam as estatísticas mórbidas do MINSAP, mas Havana se esbalda dentro do cogumelo que a deixa invisível e estéril no meio do holocastro: a limpeza não é étnica, senão entomológica.

Um instante depois, a cidade reencarna com pontualidade pioneiril: Somos Fênixes aqui, parodiamos a propaganda. É uma atmosfera irrespirável, habanabrasiva, nem os insetos nem as pessoas se dão ao luxo kafkiano de se deixar asfixiar. A fumaça não mata esse humor nosso, de sobremorrentes, que não deveremos a ninguém a traqueotomia.

3. Sherazade antes da alvorada

Ao habanecer, não há discurso que supere a visão concreta da cidade. Pergunto com as mãos a hora a um varredor: “7½”, se endireita e ergue a vista. Não é um homem, mas sim a atriz-fetiche de ninguém. Suas pupilas raivosas são um plágio ao vivo da terceira Lucía: por acaso a mais amateur e verossímil de todas as personagens do cinema cubano.

Me retiro sem agradecer, ruminando as runas em ruínas do meu monólogo externo (autista, mais que artista): il n´y a pas Havan ors du texte. Havana não tem fora. Havana é o fora.

Intempestiva intempérie. Têmpera hav anacrônica em modo subjuntivo. Grades perfumadas de urina e ruas consteladas de escarro: as patas abertas aos pares e as pálpebras fechadas de tão pacata. Desrespeito do descascado antes que do desacato. Urbe substantiva e superadjetivada, ubre são à beira de uma mastectomia sumária. Te negaremos três vezes por escrito antes que cante o galo, porque Fuenteovejuna não tinha razão, mas sim o Procurador (quod scripsi is crisis).

4. A Havaninfa inconstante

Segundo a novela póstuma de um Infante literalmente defunto, Havana parece – aparece – indestrutível na lembrança: isso a faz imortal.

O outono sem patriarca do ano 8, em uma havanábula rasa de furacões tão eólicos como ideológicos, com a espúria esperança de que nosso XXI não seja um anagrama analfabeto do XIX, devemos reconhecer que ninguém mais habita essa língua sacra de lesa-havanidade descoberta por G. Caín. Não sabemos ler lendo, e tampouco nos importa. Engarrancharam as instruções do nosso caderno escolar.

Assim, passamos páginas prodigiosas e ficamos em branco, como se lêssemos em latim: latineratura para uma Havana infartada. Excrever, fesescrever: soa apocalíptico, mas é mais para priápico. Havana não causa lágrimas, ainda sequem seus olhos. Havana é uma puta piñeriana tornada lolita tonta com a velhice. Havana é, com efeito, uma isca literárida. Havana é, com defeito, um carnaval. Em carne viva.

5. A ilusão do habanauta

Uma freada sobre o asfalto e o motorista me acusa de coprofagia pedestre. Me desculpo ante esse trabalhador ofuscado não comigo, mas sim com a visita a Cuba de três ciclones ou os Reis Maus: Gustav, Ike e Paloma.

De Havana partem brigadas intelectuais para desfazer o desastre. Vão ao som do comunismo de campanha, segundo nossa imprensa, num gesto voluntarioso muito útil também como chantagem. Quem [não] desperta hoje com Cuba, [não] desperta para todos os tempos: a citação passa da pluma de chumbo de José Martí para um videoclip light do grupo Moncada.

Me ajoelho diante da Virgem do Caminho e não peço nada. Cruzo pontes e escadarias do bairo de Lawton. O Morro do Burro, depilado de pinheiros, dá pena como paisagem. Subo em linha reta pela Avenida do Porvir. Todo movimento em um plano, cubanizo o cadáver do exilado ex soviético com Prêmio Nobel, é uma forma especial de autoconfirmação.

Agora que o presidente Medvedev o elemento Cu na tabela periódica de Medeleiev, São Petesburgo e Havanagrado me remetem arqueologicamente a aquele arquipélago de siglas tão sigilosas: GULAG, UMAP. Deve haver alguma razão para termos subido juntos ao cosmos para bendizer o pó pátrio do santuário mambí. Uma razão para compartir canhonaços de Aurora e quinhentos de 50 anos e safáris subafricanos e microfones-espiões e 9550 genes em rusanhol e o realismo socialipsista de Sovexportfilm e até um reator nuclear transformado em catedral ortodoxa. Uma razão para flutuarmos na geada no Iate Potemkin ou no Encouraçado (de cortiça) chamado Granma, que ainda dorme o sono dos injustos à espera de um tempo humano, demasiado humano, que nunca chegou.

6. L significa 50

Latimos na Praça da Revolução: Li-ber-da-de, Li-ber-da-de. Um Papa polaco e a imprensa espremida entre Cristo Rei e Che Guevara eram nosso salvo-conduto de impunidade.

Durante 100 horas de companhia, Gabriel García Márquez foi o chanceler. O cardeal dilapidava seus 15 minutos de fama na TVC e seu sorriso beatífico era um nó górdio em nossas gargantas. Fidel apenas desenrugava seu traje de dono do jogo no meio do reality show.

Aquela festa vigiada hoje tem sabor de fiasco inominável: profilaxia de uma cruz num corralito de corais. A liberdade ficou muito curta inclusive como piorformance, ainda que por sorte os arautos negros do nosso pós-modernismo provinciano continuem latindo (com 50 aniversários de atraso): seremos livres no ano que vem – como nunca fomos antes.

Um bom presságio que, em pleno Édipo Rev da nossa Pax Raulmana inisecular, santa sem transição do subliminar ao subversivo. Rev in Peace, 1959-2009.

7. Eu, que não sei dizê-lo: Revolução

Começa o inverno (palavra sem etimologia no clímax cubano) e continua parado em stop-motion o Muro do Malecón. Havana é uma jogada de bola parada em que ninguém quer chutar: ver os touros do tapume ou arar com esses bois até o apito final?

Dobro na Rua Dolores até a calçada deformada da 10 de Outubro: marco republicambriano tornado lugar-comum revoilusório. A luz é por demais frágil, mas o pó forma desde cedo essas colunas mais pra rocas que pra barrocas que são as grades dessa cidade.

A esquina de La Víbora funciona como um Aleph malephico: rolos de papel higiênico pendendo das sacadas, casas de caldo-de-cana bichados e um ágrio agromercado, animais destrinchados debaixo do sinal e manguaceiros habanémicos no meio-fio, mais um campus de concentração escolástica em cujas aulas austeras traímos nosso primeiro querido amor. Agora passam de novo os adolescentes com seus uniformes, mas na minha idade já sinto o corpo velho demais depois de três tristes décadas de decadência disciplinar.

Não muito longe de enpinam os spotlights hipermetropes de Villa Marista, escola privada transformada em quartel vigilante da Segurança do Estado. A mansão ainda conserva sua maiêutica majestade. Alguns amigos passaram o serviço militar como detentos ali. Como eles não vão contar esse nicho necro da nação, eu os interrogo ao ponto da tortura. Desde seus postos, nenhum viu um só ato de violência ou auto-de-fé. Em todo caso, gestos de sonolência: rajadas fugidas à meia-noite, broncas na rua, cantadas nas passantes e um rosário sigiloso de ingenuidades incríveis dentro do MININT.

8. Sweet Habana

Minha escaleta Havana-24-horas é um storyboard não tanto aristotélico quanto aristocrático. Uma geração posproletária não repara em sua cidade de-a-pé, nem na voz dos sem-voz, nem nas sagas de gerrilheirismo mágico, nem na denúncia zoocial, nem em toda essa bijuteria do boom que insiste como um cão vira-web na cuba.cult.cu: o passado do texto.

Mais proveitoso e arriscado seria narrar a Brave New Havana que desde 1868 ou 1895 ou 1902 ou 1933 ou 1959 ou 2009 ninguém se atreve a entrever: O glamour nos tempos do coolera?

Semelhante ucronia de uma Alter-Havana fashion, debris e contracultural, canibal antes que Caliban, próspera e sem perspectivas, fútil, mais que futurista, havanywoodiana; semelhante cidade narrada em episódios por um blog bobo ou bloqueado (delírio à beira do delito) será um padre a cavalo contra os troianos tediosos da reiteratura cubana: um corpus texti que nunca soube nomear na Havanada, nem seu vocubalário empacado numa só vogal (a abstrata).

9. O cubano na jornalística

Centenas de acordeons cercam a capital: são ônibus articulados da marca Yutong (Made in China). Comfort à parte, rapidamente fedem a ranço, lhes faltam luminárias e lhes sobram pixações e goteiras, e rodam lentamente, como estufas ou estafas de 40 centavos. Esse emaranhado de linhas substitue o subway nos anos 80 pelo MITRANS, quando a Cortina de Ferro de estilo Stálin (Back in the USSR) se desmilinguir.

Nas bancas estatais vicejam tablóides de parca solenidade. A cor da tinta apenas diferencia texturas: Orbe preto, Granma vermelho, Trabajadores laranja, Juventud Rebelde azul, e o experimento não tanto democrático quando democromático de La calle del Medio. Os velhos madrugam para recolher o que conseguem para revender com ágio de 500%, ainda que o lucro não chegue nem a um peso cubano por exemplar.

Comprar papel impresso para ler não é muito elegante em Havana. Mas como Hemingway com os programas de corridas de cavalo, entre as manchetes sempre topo com o iceberg derretido da verdade: Uma cidade para os cegos, Atraso poderia ser benéfico, Remadores com bons planos, Mora em Cuba a maior manada de leões em cativeiro do mundo, Voo terrestre nacional, O recorde do absurdo está vencido.

10. Morte perversa, estado de coma

Um amigo morto por uma parada dupla: o flerte com uma enfermeira ressucitou-o da primeira vez, quando já nos diziam que não havia nada a fazer. Meu pai morreu sem diagnóstico até a autópsia: metástase misericordiosa que nunca doeu. Outra mão morta numa cirurgia quase ambulatorial. Sempre a morte em sua afetação breve, sem pistas nem indenização.

Havana, abre-te e traga-me: somos presas de uma tradição pródiga em suicidas sem causa. Mas um verso do nosso Virgílio não basta para nos converter à necrofilia, ainda que a morte nos ronde por todas as partes como uma circunstância maldita: ubícuba e havanisciente.

Ó morte! Onde está teu aguilhão? Nas Reflexões do Premiê, relidas depois pelas redes de difusão ou de defunção. Nos cortejos fúnebres, que são proibidos de cortar pela Praça da Revolução em seu trajeto até o cemitério. Num rumor noir, que quica do exílio para o inxílio: o embargo, a invasão, um boldôzer de ponta a ponta do país, a Lei de Ajuste (de contas?). Cubano, certas cláusulas secretas do Código Da Bush, e uma licença de 3 ou 3.000 dias para matar. Numa mesa redonda do canal Cubavisión enterra juntos vagabundos, antissociais, mercenários e demais zeros extravagantes. Num painel penoso no 41, onde a fobia vende mais que os anúncios. Na pena capital e no estado de emergência que, desde um sinistro tomo de Direito, pendem sobre nossos corpos sem órgãos mas organizados em massa. No Novo Homer que nossa utopia tapada pariu: Pioneiros do comicinismo, seremos como Simpson!

A morte pisa forte por todas as partes, exceto na bendita circunstância de uma intelectualidade loquaz que presume sua independência, mas que ante o poder, se maquia com o rímel retórico da marca Naif (Feito em Casa).

11. Madagascuba

Na Circunvalar da Cidade Esportiva, o cobrador da linha P-3 explica porque Beijing deu mais ouros paraolímpicos que olímpicos. Alguns protestam por esse revés inconversível em vitória. Outros, com cautela, culpam certos conceitos e cargos dentro do INDER E os indecisos não entendem para que tanto alvoroço por não cantarmos o hino cubano em cantonês.

Descemos no Zoológico da 26, com suas feras que sobreviveram à famine finisecular e agora moribundeiam de tédio. O cinema Acapulco anuncia para sempre Kangamba. E seus onanistas de luneta ficam excitados pelos heróis sem eros dessa coprodução ICAIC-MINFAR: um roteiro entre bélico e bucólico onde um sósia encarna Fidel (só vemos suas divisas e altas condecorações cenográficas).

O P-3 vai se acabar na Almendares, junto da Ponte de Ferro que serve de prótese para este rio. Na foz há botes encalhados por falta de combustível ou permissão da Polícia Fronteiriça. Há pescadores em terra, com suas redes roídas por uma plataforma insular não tanto deserta como desertada. Há cardumes de brujerías e biajacas mordiscando sua cota racionalizada do maná do lodaçal do esgoto. Amijem!

Na saída do Túnel de Las Américas, onde foi filmada aquela fuga em bicicleta do Período Especial de Guerra em Tempos de Paz, um soldado de camuflagem e cachorro sem focinheira me pergunta pelas horas com as mãos. “7½”, me endireito e abaixo a vista, antes de me retirar sem receber o obrigado desse remake nacional do Rambo: je est un Habanautre, lambo os beiços pelo palimpsesto pedante do meu desespero.

12. Mas Havana, ai!, continuou vivendo

O habanero altaneiro não deseja o caos para sua cidade, mas tampouco quer criar caso: às voltas do meio milênio de cinquenta anos, La Habana se soletra com L não só de libido, mas também de liberdade.

Em conseqüência, os restos do territórrido nacional se vingam contra esse espírito libertário. É uma sanha com presunções didáticas: uma revolição humilhante contra nossa paupérrima mas nunca humilde capital. Essa Havana roralizada por Cuba tampouco é o lugar mais sofrido. Como nossa fascinação pelo fracasso é maior que todas as frustrações, cruzamos os braços numa miragem endêmica de paciência, à margem de toda política e de toda poética que impuseram mecanicamente a essa cidade e às que ela musicalmente sempre superou: Hasta la vitrola siempre!

13. Rehab

Havana padece – perece – de Mal de Havanalzheimer. Inábil, com uma história já sem histologia, tenta-se reabilitá-la em vão para fazê-la habitável.

Mas se uma promessa apodrecida lhe produziu surdez, se o amor descarnou seus lábios, se a demência arrancou seus cabelos, se a tristeza foi secando seu sexo, se a feiúra assassinou de tudo às 7½ dessa mesma manhã, por exemplo, o dom de perdão cidadão que ela nunca teve para seus filhos, nós, seus bastardos, teremos, sim, com nossa Havana reumática, ainda que seja só um réquiem reacionário de epifania ou talvez epitáfio:

Havãnossa que estás no pó, nacionalizado seja o teu nome. O discurso nosso de cada dia nos dai hoje. Paredón para os nossos pecados. Não nos deixe cair na tentação de livrar-nos de ti por mar. Havana, se não existisses, haveria que te reinventar para te arrebentar meio silêncio ou meio século depois. Cubansummatun est!

(Tradução de Douglas Duarte)

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