
Morre, aos 100 anos, Lévi-Strauss, pai da Antropologia Estrutural. (Foto: Divulgação)
Quando, aos 97 anos, em 2005, recebeu o 17o Prêmio Internacional Catalunha, na Espanha, o antropólogo belga Claude Lévi-Strauss declarou que estava muito emocionado em ganhar um prêmio, porque se imaginava velho e numa idade em que esse tipo de vitória pouco acontecia. Por mais que a dura constatação de Strauss tivesse lá sua dose de verdade, a realidade é que seu nome dificilmente estaria de fora da lista dos grandes pensadores do século XX. Foi ele o fundador da Antropologia Estrutural, da teoria das estruturas elementares do parentesco, dos processos mentais do conhecimento humano e da estrutura dos mitos, noções fundamentais para a evolução dos estudos antropológicos. Uma espécie de divisor de águas nesse universo.
O Livreiro não esconde a tristeza pela perda do intelectual, morto no último sábado (31), aos 100 anos, como homenageia a Época e informa o Uol . Por isso, prestamos nossa homenagem com aquilo que Strauss nos deixa de melhor: sua obra. Conheça, abaixo, alguns livros que dão a dimensão de quem foi e do que fez Lévi-Strauss.

Mais que um livro de viagem, é um livro sobre a viagem que fez pelo Brasil durante o período em que lecionou sociologia na recém-fundada Universidade de São Paulo, de 1935 a 1939. Além de trazer detalhes pitorescos das sociedades indígenas do Brasil central, o livro discute as relações entre o Velho e o Novo Mundo, e o significado da civilização e do progresso. Para entender as motivações que levaram Strauss a escrever o livro, leia a entrevista que ele deu a Boris Wiseman, em 2003.

Nestas cinco conferências, o antropólogo interpreta alguns mitos e tenta descobrir o seu significado. Abordando temas que possibilitam analisar as relações entre Mitologia e Ciência, Mitologia e História, Mitologia e Música, o livro combina o conhecimento histórico, antropológico e filosófico. Intertextualidade de mestre.

A arte sempre ocupou lugar de destaque nos trabalhos de Lévi-Strauss, não apenas como subsídio à compreensão de uma sociedade ou de uma cultura, mas como um objeto de interesse próprio. Este é o livro em que ela vira protagonista. Nele, Lévi-Strauss revive e aprofunda algumas de suas maiores experiências artísticas: o romance de Proust, a pintura de Poussin, a música de Rameau e Wagner, sem esquecer a mitologia dos indígenas americanos.

De perto e de longe , de Didier Eribon
O livro é na verdade uma grande entrevista que Lévi-Strauss concedeu ao filósofo francês Didier Eribon. Nela, o antropólogo faz um balanço que mistura história pessoal e contribuição acadêmica. Tudo em uma conversa, um bate-papo mesmo, fácil de ler e compreender. Strauss pela ótica de quem o admira.

Entre Aspas – Diálogos Contemporâneos, de Fernando Eichenberg
Outro que conseguiu falar com o antropólogo – em duas ocasiões – foi Fernando Eichenberg. A primeira conversa foi motivada pelas comemorações dos 70 anos da USP. A segunda entrevista foi feita para ser transmitida na TV. O resultado dessa e de outras entrevistas está no livro. Confira um trecho aqui.
Leia também:
Este post e seus comentários podem conter opiniões que não refletem o ponto de vista do Livreiro.











Eduardo Spohr apresenta o Clube do Livro
O Livreiro: Vimos, lemos e comentamos "Preciosa"
Campus Party 2010: Jovem Nerd fala sobre O Livreiro


