Miles Davis, o jazz e os livros

Postado por Julio Honaiser em 18 de outubro, às 14:13 em Notícias  |  Comentário (1)
Miles Davis: homenageado em exposição em Paris. (Foto: divulgação)

Miles Davis: homenageado em exposição em Paris. (Foto: divulgação)

Falemos sobre jazz e automaticamente o nome do amerciano Miles Davis nos vem à cabeça. Isso porque o trompetista constitui, sozinho, um capítulo à parte da história da música, com seu som no trompete puro, macio, quase sem vibrato. Fundador do cool jazz, do jazz modal, do jazz-rock e da fusion, Miles fez da renovação das linguagens o principal impulso gerador de sua música. Angariou uma legião de fãs, sem a menor dúvida, que certamente gostariam de estar em Paris neste exato momento. É que desde a última sexta-feira (16), a Cidade da Música do Parque de la Villette, na capital francesa, abriga a maior exposição já realizada sobre o trompetista, como informa a BBC  Brasil. São fotos, áudios, filmes inéditos, vídeos de shows, documentos e até roupas do músico. O nome da mostra, We Want Miles (“Queremos Miles”, em tradução literal), é uma referência ao disco ao vivo de mesmo nome lançado em 1981. Coisa de fã para fã.

O Livreiro aproveita a exposição de Paris para sugerir alguns livros que falam sobre a vida intensa de Miles Davis. E também outros títulos sobre o jazz, estilo musical que ele ajudou a eternizar e a difundir. Boa leitura e – por que não? – boa música.

Kind of Blue

Kind of blue: a história da obra-prima de Miles Davis, de Ashley Kahn. (Editora Barracuda)

Relato da gravação de um dos maiores álbuns de jazz da história. Em 1959, Miles Davis reuniu seu famoso sexteto – John Coltrane, Cannonball Adderley, Bill Evans, Wynton Kelly, Paul Chambers e Jimmy Cobb – no 30th Street Studio, em Nova York, e, em apenas duas sessões de improviso, criou uma obra-prima. O jornalista americano Ashley Kahn traça um panorama do jazz nos anos 50 e recria o cenário dessa gravação, com direito a  transcrições de trechos não-editados das fitas master, entrevistas, arquivos da Columbia Records recém-descobertos, cerca de cem imagens (incluindo fotografias inéditas, partituras e registros do estúdio), entrevistas e o prefácio do único membro sobrevivente da banda, Jimmy Cobb. Um livro que entra na categoria “tem que ter”. Mas antes leia um trecho de Kind of blue na Folha de S. Paulo.

história social do jazz

História social do jazz, de Eric Hobsbawm. (Editora Paz e Terra)

Escrito pelo historiador Eric Hobsbawm, o livro examina o jazz a partir de um ponto de vista histórico. O autor rastreou suas raízes sociais e históricas, analisou a sua estrutura econômica, seu corpo de músicos, a natureza de seu público, e as razões para seu apelo, tanto nos EUA quanto em outros lugares. O livro fornece, ainda, uma introdução ao jazz para a geração de fãs e simpatizantes que o haviam descoberto nos anos 1950. Análise crítica de primeira, como convém ao autor.

caminhos do jazz

Os caminhos do jazz, de Jefferson Mello (Editora Jefferson Mello)

Tão bonito quanto a sonoridade do jazz é toda a atmosfera que envolve o som e os personagens desse mundo de perfume boêmio e de sedução imprevisível. Atento a esse cenário, o fotógrafo Jefferon Mello capta a essência do ritmo, quase sempre a partir de músicos anônimos – exceção para a safra brasileira, que vai de Hermeto Pascoal a Ed Motta, passando por Vittor Santos, Leo Gandelman, Mauro Senise, Jessé Sadoc. O livro demorou seis anos para ficar pronto e exigiu do autor viagens a Nova Orleans, passando depois para Nova York , Tóquio, Chicago, Londres, Paris, Los Angeles, Moscou, Santiago do Chile, Praga, Rio, Havana, Buenos Aires, Milão e São Paulo. Um deleite visual.

jazz das raízes ao pós bop

Jazz: das raízes ao pós-bop, de Augusto Pellegrini (Editora Codex)

Há mais de 20 anos como produtor e apresentador de programas de jazz em emissoras de rádio de São Luís do Maranhão, o jornalista Augusto Pellegrini aborda neste livro as origens do jazz e a sua evolução ao longo século XX. Analisando os diversos fatores socioculturais que provocaram o surgimento do gênero, Pellegrini traça um panorama histórico do Sul dos Estados Unidos, descrevendo os principais instrumentos e comentando sobre a vida e a carreira de grandes mitos do jazz, como Duke Ellingotn, Thelonious Monk, Charlie Parker, Miles Davis e Dave Brubeck. Valor histórico.

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Um comentário para “Miles Davis, o jazz e os livros”

  1. Acho que vale lembrar também a literatura produzida ao som do jazz, como por exemplo a de Júlio Cortázar. O escritor argentino faz ao longo de suas obras inúmeras referências ao estilo musical, sendo a mais importante o fenomenal conto “O Perseguidor”, baseado na biografia de Charlie Parker que, no conto, recebe o nome de Johnny Carter. Altamente recomendável aos amantes do jazz e da boa literatura.

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