Rio 2016: Anderson, da New Yorker, assiste à votação

Postado por O Livreiro em 3 de outubro, às 01:43 em Notícias  |  Comentários (137)
Pina

Traficantes detidos na Ilha do Governador (Foto: New Yorker/João Pina)

Tudo começou meses atrás, quando o jornalista e escritor Jon Lee Anderson, colaborador fixo da New Yorker e autor de livros como A queda de Bagdá e Che – uma vida revolucionária, decidiu escrever uma matéria sobre os narcotraficantes do Rio de Janeiro. Meses depois, a reportagem sai, justamente dias antes do anúncio da cidade que sediará os jogos olímpicos de 2016. Alguns jornais, como O Globo, chegam a coroar suas reportagens sobre a reportagem com um “É Guerra”. Artigos em veículos como o Observatório da Imprensa chamam Anderson de irresponsável e seu trabalho de “história para gringo ver”. Mesmo a imprensa americana, como a revista The Atlantic, afirmam que o momento da publicação é “peculiar”.

Decidimos, então, entrevistar Anderson, que passa férias na Espanha. Não em qualquer momento, mas no momento preciso em que o Comitê Olímpico Internacional anuciava o resultado. Além da entrevista abaixo, Anderson nos autorizou a publicar a matéria no blog de O Livreiro. Ela pode ser lida exatamente como saiu nas páginas da New Yorker clicando-se aqui. No site da revista, Anderson fala da matéria e sobre as belas fotos em preto e branco que a ilustram, do português João Pina.

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Este post e seus comentários podem conter opiniões que não refletem o ponto de vista do Livreiro.

137 comentários para “Rio 2016: Anderson, da New Yorker, assiste à votação”

  1. Marcelo Carvalho disse:

    Não há problemas no que um americano fala sobre Brasil, seja bem ou mal. Tudo é uma questão de opinião e com um pequeno esforço é possível desqualificar ambos países por seus defeitos, assim como justificá-los por suas virtudes. Mas, como o americano estava falando da violência do Rio, que de fato existe, surge também a possibilidade de fazer o inverso numa tentativa de convencer alguns brasileiros de baixa estima a uma reflexão mais crítica.

    Por exemplo, em que condições surge o fenômeno da violência nas grandes cidades brasileiras? Certamente da situação explosiva da desigualdade onde pobreza e riqueza convivem no mesmo lugar. Resolvida a desigualdade muito do problema estaria resolvido.

    Agora, o que vemos nos EUA? Embora seja um pais rico, é bem provável que as estatísticas de crimes violentos superem a de outros países igualmente ricos. Porque, se eles a princípio não exibem a desigualdade social que nós exibimos? Ou seja, estamos diante de um país que tinha tudo para não ser violento, mas que no entanto exibe um padrão sistemático de violência.

    Pensemos então inversamente, reproduza as condições de desigualdade do Brasil nos EUA. Será que as estatísticas de violência seriam maiores que as que vemos aqui??? O que isto poderia dizer sobre a natureza do povo em si, sua cultura?

    Enfim, antes de ver as coisas por um lado simplsita é melhor ver a figura como um todo.

  2. Marcelo Vargas disse:

    Opinião preconceituosa e que não ajuda a resolver o problema.

    Suas risadas sarcásticas ironizam e diminuem o esforço dos brasileiros em trazer as Olimpíadas.

    A publicação da matéria um pouco antes da eleição da cidade olímpica foi no mínimo anti-ética, um sensacionalismo barato para vender revista e minar a nossa candidatura.

    Os EUA se vendem como puros e referencial de segurança para o mundo quando são exatamente o contrário.

    Ele deveria ter verificado onde são fabricadas as armas utilizadas pelos traficantes do Rio, certamente não são nas favelas, muitas destas armas não são nem mesmo fabricadas no Brasil. Em contrapartida os EUA são os maiores fabricantes e vendedores de armas no mundo, porque não controlam a venda de armas? Ou melhor, porque não proibem a fabricação e venda de armas letais em seu próprio território, certamente o mundo seria bem mais seguro assim.

    Quanto às nossas crianças : ESPORTE, SAÙDE, EDUCAÇÂO. Homem são em corpo são. Está é a proposta das Olimpíadas.

    Estamos buscando a nossa redenção como País. Afinal são séculos de dominação economica das metrópoles e agora finalmente o Brasil PODE sim sediar as Olimpíadas, PODE sim reduzir drasticamente suas mazelas. Hoje nossa dívida externa, que foi inventada e alimentada pelas metrópoles que exploraram nosso país desde o seu descobrimento, está quitada em sua maior parte. Hoje temos reservas financeiras para BANCAR a nossa redenção e com o Petróleo do Pré-sal não dependeremos mais de ninguém.

    Nós Brasileiros precisamos romper o complexo de “vira-latas”, hoje somos candidatos à nova ordem mundial.

  3. Priscila Sancle disse:

    A primeira vez que li sobre esse assunto pensei: Mais um americano idiota que não sabe o que diz. Isso porque o sentimento nacionalista chega antes de qualquer coisa, mas resolvi ler o artigo e conhecer alguma coisa sobre aquele americano que estaria “malhando” minha tão amada cidade. Vi que é um jornalista sério e não saiu criticando o que não sabe ou usando os conhecidos clichês. Concordo que o momento no qual a máteria dele foi divulgada foi no mínimo antiético, no melhor estilo americano de derrubar seus “adversários”. O ponto mais importante dessa questão, pelo menos ao meu ponto de vista, o próprio Arderson reconhece qualquer coisa que acontece no Rio ganha dimenssões nacionais e até internacionais. Infelizmente esse destaque só é dado em relação a violência todas as outras coisas boas do Rio, como cultura, música e etc, vão sendo anuladas e até desqualificados em face disso.Existem cidades com índices de violência igual ou maior mas que, no entanto, não vão ao “ar”. Eu sou carioca e só fui assaltada uma vez na minha vida em New York! As críticas a cidade são importantes, mas não podem desconsiderar todo o resto, e melhor seria que as críticas fossem direcionadas ao “sistema” que gera a violência a desigualdade, o preconceito e a desonestidade desses polícos corruptos desviando verbas da educação, transporte e todos os setores possíveis. E que não é uma realidade única do Rio, mas sim de todo o Brasil, que as críticas sejam reais, construtivas e acima de tudo sem exageros.

    • Ana disse:

      O problema não é publicar o que realmente existe. O problemas foi a inteção com que isso foi feito.

      • Ariel Galvao disse:

        Creio que, se houve alguma intencao relacionada com a candidatura do Rio essa nao funcionou. Tambem creio que, se houve algo desonesto, isso foi por parte do The New Yorker e nao do autor.
        Li a materia, tao logo foi publicada. Nao existe mentira. Se quer distorcoes. Ele narra os fatos que infelizmente existem no cotidiano dos cariocas.
        O que espero eh que esses bilhoes de U$ que serao aplicados em obras, etc tenham uma boa parte aplicada no “etc”, melhorando a qualidade de vida dos cariocas.:)

  4. Carlo Carrenho disse:

    Fantástica a matéria de Anderson na New Yorker. Doa a quem doer.

    • Renata disse:

      Concordo em gênero, número e grau.

      E também não acho que a publicação de uma matéria investigativa, de um jornalista de campo tenha que esperar uma campanha olímpica terminar, para ser publicada.

      É lindo o sentimento de nacionalismo, mas trazer “um legado” (não aguento mais ouvir essa expressão) para a cidade implica em muito mais do que enfeitar os bairros onde acontecerão os jogos, proteger só os turistas da violência e implantar corredores de ônibus expressos que em poucos anos terão virado sucata por causa dos buracos no asfalto dessa cidade.

      O Rio precisa ser muito mais do que uma cidade olímpica por sua beleza. O Rio precisa ganhar as olimpíadas de cidadania e qualidade de vida.

  5. Manuel disse:

    Na verdade O jornal para o qual esse cara Trabalha o New Yorker foi o promeiro a por a Michelle Obama com uma arma nas costas a tildar-lhe de terrorista, quando o Obama ainda tava em campanha. Pra mim que esse jornal e esse jornalista tem um tique um pouco extremista, pra meu gosto.

  6. Matheus disse:

    Profundamente decepcionado com um repórter com anos de experiência.
    Em momento algum ele tentou justificar as afirmações do artigo, mas sim quase transformá-lo em um ataque pessoal. Infelizmente, parece que nesse caso o ego falou mais alto e falou discernimento para entender uma critica construtiva sem tomá-la como uma ofensa a “todos os gringos”.
    E fazer a relação das Olimpíadas com ter bomba nuclear? Meu Deus. Surtação total dessa figura que não tem nenhum embasamento. Depois quer dizer que está vendo o país com “outros olhos” e que o estrangeiro não tem uma visão única.
    Pior do que a matéria, só essa entrevista.

  7. Moisés disse:

    Ah! Sim, o Brasil tem a mente colonizada sim!, precisa de haver Jogos olímpicos a fim de que o governo popular faça alguma boniteza na cidade para inglês ver. Não basta as pessoas viverem ali e precisarem.
    A esquerda idealizou as favelas como cultura popular, o bom é viver amontoado em curtiços, segundo a esquerda. Mas quando “o gringo” vem, é preciso ter boniteza. A esquerda queria acabar com o vestibular, acabou criando mais um, o ENEM. A cara da esquerda está ali, na foto, com a cara no chão.

    • Marcelo Carvalho disse:

      Sr. Moisés, perfeita a sua colocação. Do que você escreve pode-se concluir que a sua mente é um exemplo clássico da colonização que você se refere. Com efeito, o americano falou sobre as impressões que ele viu. Só isso. Pelo que se ve no vídeo ele não esta fazendo maiores juízos sobre o Brasil (como se isso fosse algo que devessemos nos preocupar). O sr. no entanto, vai muito além demonstrando em suas mensagens vários complexos em relação ao Brasil e enaltecendo os EUA. Afinal, não é isso o que caracteriza um pensamento colonizado????

  8. Katitare disse:

    Eu já tinha lido a matéria qdo da publicaçao — soube atraves do RSS que recebo da revista. Comcei a ler com todos os meus desconfriômeetros ligados, até porque eu estava lendo um matéria no mesma revista sobre Clarice Lispector que era, no mínimo, sarcástica.
    Mas ao final eu nao vi problemas na reportagem, realmente nao achei nada demais, nada que nós cariocas desconheçamos — a não ser “traficante perigoso” de banhozinho tomado, todo arrumadinho, posando pro gringo com suas armas pesadas numa bizarrice só.
    Mas um outro lado de tudo isso — mesmo que esta nao tivesse sido a sua intençao primeira — foi a sua reaçao à escolha do Rio. Foi flagrante a supresa do reporter. Ele chega a ficar rubro.
    Pra mim isso quer dizer que ele realmente acreditava que um reporte gringo americano poderia melar a candidatura do Rio, onde cidadãos” hostis TAMBEM assistiriam a um evento internacional do alto de uma favela”.
    Podem reparar, a postura dele é outro, a expressao corporal dele é outra depois do resultado, ele perde aquele ar blasé do início, quando ele parecia estar reportando uma “mission accomplished” e de repente… Rio!
    E aí ele soa meio desbundado. E foi aí também que eu me dei conta de que eu já ia embarcando na falácia dele. Tolinha…
    Se qualquer outra cidade tivesse sido escolhida, certeza dele a essa hora estaria ainda, concedendo mil entrevistas para as mídias americanas [principalmente!] respondendo à especulaçao geral de ter sido a reportagem dele a o fato determinante para a eliminaçao do Rio da disputa.

    É, ainda não será dessa vez.
    E assim ele aprende na própria pele que a criminalidade pavorosa do Rio só faz vítimas, e que ele acabou sendo apenas mais uma delas, e por sorte ele não faz parte dos casos fatais, por ser ele um reporter muito bem empregado.

    No final da contas só nos resta saber — como diria Titty Vasques — se haverá 2016.

  9. Spirito Santo disse:

    O mais me assusta é a parcimonia com que vamos assimilando os golpes e as notícias desta guerra já tão nossa conhecida em suas causas, razões e consequencias. Nada de novo no front com mais esta excelente matéria sobre este tema tão recorrente.

    Posto que o problema não é só do Rio de Janeiro (como ‘lá’ não é só de Nova York) O que mais assusta- pelo menos a mim que sou um cético de carteirinha – é a anomia com que a sociedade brasileira trata esta situação que só se agrava, aceitando passivamente (como vítima omissa de dois exércitos-bandidos) vendo a coisa chegar a um ponto totalmente intolerável, se agarrando a sofismas, defendendo supostos ‘legados’ e benefícios dos Jogos Olímpicos, como se as olimpíadas tivesem o condão de apagar dos mapa da cidade as nossas mazelas mais sórdidas e exterminar os nossos pobres e mulambentos bandidos de favela.

    Adorei a escolha do Rio como sede dos jogos por ter ainda alguma esperança e por saber que a oportunidade está agora aqui, na nossa porta. Pena não ter o poder de tirar do nosso caminho o empecilho que é esta corja que são os políticos e a nossa medíocre ‘elite’.

    Pobres de nós de novo prestes a morrer na praia.

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