Internet, vilã ou mocinha?

Postado por Helena Aragao em 11 de setembro, às 23:26 em Notícias  |  Comentários (2)

keen blog

Andrew Keen sentou no sofá do Café Literário com cara de estrangeiro meio perdido, meio blasé. Mas não demorou a desfiar seu catatau de polêmicas sobre a liberdade na internet, ao lado do jornalista Caio Tulio Costa, que fazia as vezes de advogado do diabo na mesa “Banalização da cultura na era da rede global”, na Bienal do Livro do Rio. Andrew se define como “autor e palestrante” em seu blog – sim, ele tem blog, Twitter e usa todas as ferramentas que gosta de espinafrar. É autor de O culto do amador, livro cujo subtítulo – que ele próprio admitiu ser pesado demais – explica tudo: “Como blogs, MySpace, Youtube e a pirataria digital estão destruindo nossa economia, cultura e valores”. Apelidado de “Anticristo do Vale do Silício”, ele começou a achar que o oba-oba em relação ao caráter colaborativo da internet estava demais. Ao se dar conta de que alguém tinha que contrabalançar para o outro lado, criou um filão: mostrar como a facilidade tecnológica para fazer circular a informação arruína o profissionalismo e a verdade. No lugar disso, uma infinidade de amadores limitados ou de má-fé disputariam em pé de igualdade a atenção do grande público.

“Ele é um exemplar típico do grupo de intelectuais que está atônito com a rapidez das mudanças”, afirmou Caio, que é autor do livro Ética, jornalismo e nova mídia: uma moral provisória. Andrew fez um muxoxo e Caio completou: “Você é o porta-voz da mídia clássica, dessa maneira de fazer mídia como a gente faz há 500 anos”.

O inglês não gostou do que ouviu, mas não perdeu a pose. Afirmou que não acredita em verdade única e completou: “Não acho que meu livro proponha isso”. Deu alguns exemplos de como a infinidade de blogs e redes sociais criam uma teia de informações irrelevantes que acabam confundindo o leitor comum. “As pessoas devem ser pagas por sua expertise. Não à toa, alguns dos melhores blogs do Oriente Médio são feitos por jornalistas e acadêmicos”. Mais do que nunca, segundo ele, as pessoas precisam ler criticamente, interpretar e chegar às suas próprias conclusões, sobretudo no momento em que os mecanismos de busca misturam informação confiável com outras tantas não confiáveis.

O clima esquentou quando Caio e Andrew debateram sobre os modelos de negócio da TV aberta e do Google – este último, na opinião do inglês, é uma empresa que não produz nenhum tipo de informação e distribui publicidade a partir de algoritmos, prescindindo do fator humano.

O público, provavelmente formado por amadores, roubou a cena com perguntas interessantes e provocativas. Um médico com 25 anos de profissão afirmou que, apesar de haver muita bobagem na internet, nunca conseguiu ter acesso a tantos artigos científicos quanto agora. Outro rapaz questionou: “Quem tem o poder de criticar a credibilidade de um texto do meu blog? Você acha que os jornais têm credibilidade. Um texto meu foi plagiado por um jornal. Devo entender que isso é prova da minha credibilidade?”

Andrew rebateu a ironia com veemência e aproveitou para divulgar o livro que está escrevendo, sobre a era das mídias sociais. “Já estamos entrando num novo momento. A web 2.0 já acabou”. Novo momento, novas questões e só uma certeza: lá estará Andrew Keen para polemizar.

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Acompanhe a transmissão ao vivo das mesas da Bienal do Livro aqui no Livreiro, via G1.

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2 comentários para “Internet, vilã ou mocinha?”

  1. AMAURY AMARAL MARAFIGA DUTRA disse:

    Embora haja uma defesa da “midia dos tempos modernos”, com frases no meu ver prontas, como o batidíssimo e pouco original “isto-é-como-se-fazia-há-anos-atrás” (como se uitas coisas perfeitamente idôneas não fossem, ao contrário, garantidas pela tradição), não há como deter o progresso tecnológico ou impedir a liberdade permeada por este avanço. Copmo vacina, como quer o autor inglês, somente se investindo nas formas e nos autores tradicionais – estes sim, incólumes diante da prova do tempo e reais emissários das culturas mais radicais dos povos. Somente, então, com educação de qualidade e dando à cultura o seu real e maior aspecto, que é o de inserir o homem dentro de sua própria espécie, a humanidade.

  2. uploarlpare disse:

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