Flip 2009 – Para quem perdeu, resumo com links

Postado por O Livreiro em 6 de julho, às 20:31 em Eventos, Notícias  |  Sem Comentários

A última Flip, encerrada no domingo (5), reuniu de quadrinistas da nova geração a autores chineses, de astros do picadeiro literário a mestres da escrita. Um certo tempero confessional atravessou a programação, principalmente mesas como a de Catherine Millet, Sophie Calle, Gregoire Bouillier e até do veterano Talese, desconcertado por ter de contar coisas sobre seu casamento de 50 anos.

Alguns autores continuam no país, para conversas no Rio de Janeiro e São Paulo. Abaixo, um guia com links para textos e vídeos sobre cada mesa. Ao final, a programação para esta semana.

NOITE DE ABERTURA

Na noite de abertura, a Flip homenageia Manuel Bandeira com uma palestra do crítico Davi Arrigucci Jr., um de seus mais importantes especialistas. Depois, Adriana Calcanhotto fez o show de abertura.  Aqui, a cantora conta a O Livreiro sobre a influência de Bandeira. O Livreiro também fez uma homenagem ao poeta, formando um painel de livros que desenhavam seu rosto ao lado da Igreja de Santa Rita. Veja algumas fotos aqui.

DIA 1

A festa literária começa para valer com uma mesa plural. Os artistas Rafael Coutinho, Fábio Moon, Gabriel Bá e Rafael Grampá mostraram que quadrinhos podem ser tão profundos quanto qualquer romance e promoveram uma leitura dramática de trechos de suas obras que empolgou a platéia. Veja aqui e aqui alguns trechos.

Em seguida, o ator, dramaturgo e cineasta Domingos de Oliveira sobe ao palco ao lado do escritor Rodrigo Lacerda para tratar de separações. Oliveira agrada com aforismos sobre o amor e o desamor, com a experiência de quem se casou cinco vezes e sempre fez das relações amorosas o tema de seus filmes e peças.

Na mais leve das muitas mesas de tom confessional, Arnaldo Bloch, Tatiana Salem Levy e Sérgio Rodrigues discutem os limites entre memória, história e ficção.

Na mesa mais vazia do dia, os escritores chineses Xinran e Ma Jian discutiram os efeitos da Revolução Cultural de Mao Tsé-tung desde sua gênese até o Massacre da Praça da Paz Celestial, em 1989. Assista a um vídeo aqui.

O ponto alto do dia é a palestra-show do biólogo britânico Richard Dawkins, famoso por seu ateísmo baseado nas teorias evolucionistas de Charles Darwin. Dawkins teve a plateia a seus pés, enquanto discorre sobre o sentido da vida.

DIA 2

O dia começa com uma homenagem de poetas a Bandeira. Eucanaã Ferraz, Angélica Freitas e Heitor Ferraz discutem a atualidade do mestre.

Em seguida, Bernardo Carvalho e o afegão Atiq Rahimi divergem no palco sobre o que é universal na literatura. Na primeira mesa da tarde, a irlandesa Edna O’Brien, vencedora do Booker Man Prize em 2007, fala sobre a transgressão de escrever abertamente sobre temas sexuais na Irlanda.

Mais tarde, o brasileiro Cristóvão Tezza debate com o mexicano Mario Bellatín o uso das experiências pessoais na literatura. No fim do dia, a mesa mais concorrida: Chico Buarque e Milton Hatoum conversam sobre seus livros, “Leite derramado” e “Órfãos do Eldorado”. A conversa flui em tom informal.

DIA 3

Alex Ross, colunista de música erudita da revista “New Yorker”, faz um painel sobre o gênero no século 20, tema do seu “O resto é ruído”. Logo adiante, a artista conceitual Sophie Calle e o escritor francês Gregóire Bouillier protagonizam o momento telenovela.

Em seguida, a irlandesa Anne Enright, vencedora do Man Booker em 2007, e o cultuado James Salter falam sobre seu universo de famílias fraturadas e melancolia. Em seguida, o norte-americano Gay Talese, mestre do jornalismo literário, levou ao palco sua elegância de trajes e texto e deu uma aula de simplicidade: “aproxime-se das pessoas humildes”. Ao final, teve também de responder a perguntas sobre seu casamento.

A noite foi encerrada com uma mesa já considerada uma das melhores da história da Flip, quando o português António Lobo Antunes conversou sobre o ofício de escritor:”o livro é como uma estátua que você desenterra de um jardim” foi uma de suas belas frases sobre criação literária. Aqui, vídeo com trecho.

DIA 4

Com  fervor de um pastor evangélico, Simon Schama foi um dos raros retornos do evento à política internacional, sempre um tema presente em edições anteriores. Em seguida, a crítica de arte Catherine Millet transformou o palco da Flip em divã para tratar de sua vida sexual. À tarde, o jornalista Zuenir Ventura e Edson Nery da Fonseca, crítico e amigo de Manuel Bandeira, relembram o poeta pernambucano e seu amor pela poesia e pelas mulheres.

Na última mesa, autores leem trechos do que consideram seus livros de cabeceira. Tatiana Salem Levy leu ”Escrever”, de Marguerite Duras; Rodrigo Lacerda,  “Viva o povo brasileiro”, de João Ubaldo Ribeiro; Mario Bellatín,  “Prosas apátridas”, de Julio Ramón Ribeyro; Anne Enright , “Dublinenses”, de Joyce; James Salter, ”The enormous room”, de E.E. Cummings, e, finalmente, o afegão Atiq Rahimi, poemas curtos de mulheres afegãs anônimas.

A Flip continua

Muitos dos autores da Flip continuam no Brasil e darão palestras.

Segunda, 6 de julho:

Simon Schama participa da Sabatina da Folha (SP)
Mario Bellatín fala no Espaço de Artes da Livraria Cultura (SP)
Catherine Millet participa do Prosa nas Livrarias LINK (RJ)
Gay Talese no Instituto Moreira Salles (SP)

Terça, 7 de julho:

Zuenir Ventura e Rodrigo Lacerda no Oi Futuro (RJ)
Mario Bellatín fala na Livraria da Travessa do Leblon (RJ)
Edna O Brien, Xinran e o poeta Paulo Henriques Brito se reúnem no Oi Futuro (RJ)

Quarta, 8 de julho

Gay Talese no Instituto Moreira Salles (RJ)
Arnaldo Bloch e Domingos de Oliveira no Oi Futuro (RJ)

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