A repressão na China

Postado por O Livreiro em 3 de julho, às 11:01 em Notícias  |  Comentário (1)

Mia Jan (d), Xinran (c) e o mediador Angel Gúrria-Quintana (Foto: André Teixeira / Ag. O Globo)

A dormência da memória da sociedade chinesa diante os anos de repressão foi o tema central do debate entre a jornalista e escritora Xinran e o escritor Ma Jian nesta quinta-feira (2), no segundo dia da Flip. A discussão colocou em pauta os trabalhos recentes dos dois autores (Xinran é autora de “Testemunhas da China” e Ma Jian escreveu “Pequim em coma”) que escreveram sobre o mesmo tema – a opressão comunista – sob perspectivas distintas.

No blog “Máquina de escrever, no site G1, Luciano Trigo lembrou que, mesmo com os problemas com a tradução simultânea, houve “aplausos entusiasmados dos espectadores” porque a “plateia adora escritores perseguidos e exilados”. E criticou:

“Fiquei com a impressão de que os dois autores escrevem sobre a China para inglês ler. E que seus leitores, mais do que pela busca de boa literatura, são motivados pela nostalgia de uma época em que os intelectuais e escritores tinham uma importância política maior.”

Na “Cronópios“, Sissa Frota também comentou o problema com a tradução, mas afirmou: “foi um prazer ouvir Xinran pela primeira vez e ter uma idéia, mesmo que vaga e superficial, do trabalho de Ma Jian.

Xinran optou pelo relato jornalístico para falar do abismo entre mães e avós chinesas – contemporâneas e educadas sob o prisma da política de Mao – e os jovens da nova geração, que, segundo ela, sentem a dificuldade de estabelecer um canal de comunicação com seus antepassados por causa das inúmeras mudanças pelas quais o país tem passado com a abertura econômica.

Visita ao campo

Até 1988, a escritora achava que sabia tudo sobre a China. Mas só depois de visitar o campo e deparar com a miséria absoluta se deu conta de como havia sido educada.

“Com cinco mil anos de história e 1,3 bilhões de habitantes, é impossível acreditar em uma única visão. A minha é apenas uma pequena xícara de chá verde que eu lhes convido a tomar”, brincou Xinran, que confessou o interesse maior na análise humana em detrimento às questões políticas e sociais. Para ela, o conhecimento da sociedade chinesa é como um quadro de Picasso. “Eles têm as informações, mas totalmente fora de posição, bagunçadas”, comparou.

A jornalista confessou à platéia que, depois de entrevistar cerca de 200 chineses, chegou a uma conclusão intrigante: a de que essas mulheres não sabiam que estavam compactuando com o “estúpido Partido Comunista”, a ponto de delatarem seus filhos que participavam de manifestações populares como a do Paz Celestial. Daí a decisão de escrever tentando mostrar a perspectiva de mulheres que geraram chineses avessos à educação que receberam delas.

“A história é também dos perdedores e o passado é a raiz para se entender o presente”, concluiu. A escritora enumerou, ainda, três razões que explicariam, segundo ela, o bloqueio da sociedade chinesa em tratar da repressão política: “A cultura de Confúcio -  de não questionamento dos superiores – o sistema jurídico vigente até 1912 – segundo o qual a família de um indivíduo é culpada pelos crimes por ele cometido –  e a censura institucionalizada pelo partido comunista chinês.”

Romance com tintas autobiográficas

Ma Jian, entretanto, escolheu o romance ficcional para criticar, a partir da imagem de um personagem em coma, inspirada em seu irmão, a letargia de pensamento do povo chinês, proibido institucionalmente de expressar qualquer tipo de oposição ao Partido Comunista.

O autor critica a postura do Partido Comunista de ter se empenhado em fazer uma “limpeza” pós-massacre e a “confusão do chinês”, incapaz de discernir, muitas vezes, o que representava a movimentação pacífica estudantil de 1989.

“O povo é confuso e tem pavor às movimentações. Aqueles que discordavam dos estudantes, alegavam que estavam vendo se repetir a Revolução Cultural, que na verdade foi toda orquestrada por Mao Tse Tung. O que a gente lutava em 89 era por melhorias políticas e ações contra a corrupção”, relembra Ma Jian, que acredita que a revolução política não tenha acompanhado a revolução econômica no fim dos anos 80.”

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Um comentário para “A repressão na China”

  1. florinda disse:

    não gostei de nada vcs não explicaram direto !

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